TSE aponta gasto de R$ 11 bi de candidatos nas eleições

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Dados do TSE mostram que candidatos gastaram R$ 11,03 bilhões nas eleições de 2024, valor menor que o registrado em 2022
Candidatos gastaram R$ 11,03 bilhões nas eleições de 2024, um valor R$ 2,36 bilhões menor do que o registrado no pleito de 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados até a última sexta-feira (30). O levantamento, feito pela CNN Brasil, contabiliza despesas de campanhas de candidatos à Presidência da República, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, além de candidaturas para deputados estaduais e distritais. As doações financeiras a outros candidatos e partidos foram o principal destino dos recursos eleitorais, representando cerca de 52% das despesas totais, ou R$ 5,72 bilhões. Esse mecanismo permite que um político transfira parte da própria verba eleitoral para outros concorrentes.
De acordo com os dados do TSE, os demais gastos mais expressivos das candidaturas foram:
- "Publicidade por materiais impressos" (R$ 976 milhões), categoria que engloba panfletos e cartazes, foi o segundo maior gasto registrado nas campanhas eleitorais deste ano.
- Serviços prestados por terceiros somaram R$ 795 milhões, seguidos por atividades de militância e mobilização de rua (R$ 662 milhões) e despesas com pessoal (R$ 538 milhões).
- Impulsionamento de conteúdos digitais consumiu R$ 488 milhões, enquanto serviços advocatícios chegaram a R$ 302 milhões e a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo totalizou R$ 282 milhões.
- Publicidade por adesivos (R$ 454 milhões) e cessão ou locação de veículos (R$ 180 milhões) completam a lista das categorias com maiores volumes de gasto. Somadas, essas dez categorias representam 94% dos gastos totais da campanha, totalizando R$ 10,73 bilhões.
Os demais R$ 662 milhões estão diluídos em outras 32 categorias de despesas, que vão desde serviços contábeis (R$ 172 milhões) até encargos sociais (R$ 12,4 mil). Segundo Murilo Borsio Bataglia, professor de direito da Universidade de Brasília (UnB), o destino dos investimentos eleitorais mudou ao longo dos últimos anos em razão do avanço das plataformas digitais. Apesar dessa transformação, ele ressalta que todos os gastos devem respeitar as regras de financiamento, os limites estabelecidos e as exigências de transparência e prestação de contas à Justiça Eleitoral. "Essas despesas correspondem a diferentes formas de alcançar o eleitor e transformar recursos financeiros em visibilidade, engajamento e mobilização política. Vivemos em uma sociedade em rede e em contexto de sociedade da informação, a realidade incorporou o digital. A produção de vídeos permite transmitir mensagens com maior capacidade de comunicação; os materiais impressos e adesivos ajudam a ampliar a presença da candidatura nos espaços públicos – que incluem agora o espaço "digital"", disse o professor.
Sobre a redução do montante gasto em comparação a 2022, a advogada e especialista em direito eleitoral Mariana Steinmetz lembra que os candidatos ainda podem declarar gastos até a primeira quinzena de novembro, o que pode elevar os custos totais das eleições deste ano. "Acredito que a redução das despesas se explica, em grande medida, pelo fato de 21 estados terem definido a eleição para governador já no primeiro turno, o que evitou novos gastos com uma segunda etapa do pleito", disse a advogada. Por lei, os candidatos devem declarar as despesas do primeiro turno até 3 de novembro e os gastos com o segundo turno até o dia 14 do mesmo mês.
Entre os gastos destinados a plataformas digitais, o Facebook, da Meta, foi a ferramenta que mais recebeu recursos eleitorais neste pleito. Com 6% do total gasto nas eleições, a empresa recebeu R$ 352 milhões em 28,6 mil contratos firmados, um salto de 272% frente a 2022, quando as movimentações financeiras somaram R$ 129 milhões em cerca de 19,4 mil contratos. Gustavo Ribeiro, cientista político com mestrado pela Universidade de Sorbonne, destaca que as plataformas digitais são ferramentas fundamentais para a divulgação das campanhas realizadas nas ruas. "A eleição de 2024 consolidou as redes sociais como o principal campo de batalha da disputa presidencial. Mais de 76% dos eleitores brasileiros já se informam pela internet, segundo o Reuters Inst., e o dinheiro acompanhou essa mudança. O peso do digital aparece também na estratégia das campanhas", pontua.



