Aliados aconselham Lula a buscar nome de consenso para o STF

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Aliados aconselham Lula a indicar um nome com apoio do Senado para o STF antes da mudança na composição da Casa em 2027
Depois de ser reeleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem recebido orientações de aliados para escolher um nome de consenso para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) antes do fim de 2026. A estratégia visa evitar um novo embate com o Senado e garantir que o indicado tenha votos suficientes para ser aprovado pela Casa. Lula já sinalizou a interlocutores, em mais de uma ocasião, que gostaria de insistir na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias. A proposta, porém, encontra resistência significativa no Senado.
Em abril, Messias foi rejeitado por 42 votos a 34, em uma derrota considerada histórica para o governo. Diante desse cenário, parlamentares aliados e integrantes da chamada "cozinha" do Palácio do Planalto defendem uma escolha que tenha o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e das principais lideranças da Casa. O nome mais citado por esse grupo é o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Pacheco já era considerado o preferido de Alcolumbre antes da indicação de Messias. A avaliação entre aliados é que o ex-presidente do Senado reúne apoio político suficiente para facilitar a aprovação e evitar um novo desgaste nas relações entre o Executivo e o Legislativo.
A tentativa de concluir a escolha ainda neste ano também leva em conta a mudança na composição do Senado a partir de fevereiro de 2027. A direita ampliou sua presença na Casa nas eleições de outubro. Somente o PL, partido de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, terá 28 cadeiras na próxima legislatura, sendo 19 conquistadas neste pleito. Para os articuladores do governo, a atual composição do Senado oferece uma janela de negociação antes da posse dos novos parlamentares. A intenção é evitar que a indicação fique para o próximo ano, quando o cenário político poderá ser menos favorável ao Planalto. A aproximação entre Lula e Alcolumbre durante o período eleitoral também é vista como um fator que pode favorecer um acordo em torno de Pacheco.
O presidente apoiou candidatos ligados ao senador no Amapá, enquanto Alcolumbre acelerou a tramitação de propostas de interesse do governo às vésperas da votação. A escolha, no entanto, ainda não foi definida. Lula só deve amadurecer a decisão após um período de descanso depois da campanha eleitoral, durante o feriado de Finados. Pela Constituição, cabe ao presidente da República indicar o ministro do Supremo. O nome escolhido precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ser aprovado pela maioria absoluta dos senadores, ou seja, pelo menos 41 dos 81 parlamentares. A cadeira está vaga desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, e a definição do substituto terá impacto tanto na composição do STF quanto nas relações políticas entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.



