Flávio Bolsonaro pode ficar nos EUA por tempo indeterminado, diz Trump

Divulgação/Flávio Bolsonaro
Trump afirma que Flávio Bolsonaro pode permanecer nos EUA por tempo indeterminado, enquanto tensões diplomáticas entre Brasil e EUA persistem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite de sábado que Flávio Bolsonaro pode permanecer em território norte-americano por tempo indeterminado. As declarações foram feitas a jornalistas durante uma festa de Halloween no clube Mar-a-Lago, na Flórida, e indicam que as relações entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental devem permanecer tensas por algum tempo. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após perder a eleição presidencial para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A saída ocorreu depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a retenção de seus passaportes, uma vez que o ex-candidato enfrenta duas investigações federais por lavagem de dinheiro no Brasil e a polícia considerava que ele poderia fugir do país. "Ele pode ficar aqui o tempo que quiser", disse Trump sobre Flávio Bolsonaro. "Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha", afirmou o presidente norte-americano. Observadores externos, no entanto, descreveram a eleição brasileira como livre e justa. A embaixada brasileira em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Flávio Bolsonaro foi admitido nos Estados Unidos sob "liberdade condicional humanitária", um status que normalmente tem duração de apenas um ano. Apesar da declaração de Trump, uma autoridade norte-americana e uma fonte a par do assunto disseram à Reuters que o presidente não tem planos de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro. Trump também afirmou no sábado que não tem planos de se encontrar pessoalmente com o brasileiro. Ainda no mesmo dia, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse ter conversado com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante uma reunião do Grupo dos 20 em Atlanta.
Em comentários que apontaram para uma possível reaproximação entre os dois países, Rubio indicou que ele e Vieira devem se encontrar novamente na França, em uma cúpula de ministros das Relações Exteriores do G7 prevista para o próximo mês. O Brasil deve participar da reunião como observador. Sobre a chegada de Flávio Bolsonaro aos EUA, Rubio declarou que o governo norte-americano "não esteve diretamente envolvido em nenhuma das medidas" que levaram à sua saída do Brasil no início da semana. Contudo, a Reuters e outros veículos de comunicação noticiaram que Jason Miller, um funcionário da Casa Branca, ajudou a organizar a viagem do brasileiro. As declarações de Trump sobre Flávio Bolsonaro ocorrem em meio a um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, ainda que os canais de comunicação entre os dois governos permaneçam abertos, como demonstra o contato entre Rubio e Vieira.



