Marinho quer voto aberto para derrotar Alcolumbre em disputa pelo Senado

Foto: Agência Brasil
Líder da oposição propõe repetir a estratégia que elegeu Alcolumbre em 2019, mas desta vez para derrotá-lo na disputa pela presidência do Senado
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, propôs repetir uma estratégia utilizada há oito anos para enfrentar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na disputa pelo comando da Casa, prevista para fevereiro de 2025. A tática em questão é o voto aberto, recurso que foi decisivo para a própria eleição de Alcolumbre em 2019 e que Marinho agora pretende usar contra ele. Na eleição de 2019, Alcolumbre disputava a presidência do Senado contra Renan Calheiros (MDB-AL), que buscava retornar ao cargo pela quarta vez. Renan acreditava ter os votos necessários para vencer, no início do governo Jair Bolsonaro, mas enfrentava forte rejeição de senadores eleitos nas ondas bolsonarista e lavajatista, em razão dos processos que respondia na Justiça.
O grupo de Alcolumbre recorreu a uma manobra em plenário que permitiu aos senadores exibirem abertamente seus votos — algo inédito até então, já que o regimento interno prevê voto secreto para eleições de cargos da Mesa Diretora. A estratégia funcionou: o voto aberto constrangeu os apoiadores de Renan e, com um movimento crescente em favor do amapaense, o senador do MDB renunciou à candidatura minutos antes da votação. Alcolumbre foi eleito presidente do Senado pela primeira vez. Oito anos depois, Marinho quer repetir o movimento, mas com o objetivo inverso: usar o voto aberto para derrubar Alcolumbre. "Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?", afirmou o senador ao jornal "Folha de S. Paulo", na segunda-feira (2/11).
O objetivo de Marinho com a medida é garantir os votos da maioria formada na Casa pela direita e pela centro-direita após as últimas eleições, o que, nos cálculos da oposição, viabilizaria a vitória sobre Alcolumbre. O PL deve se reunir nesta semana para traçar estratégias visando a eleição para a presidência do Senado. Conquistar o comando da Casa é visto como essencial pelo partido para enfraquecer o governo Lula e, principalmente, avançar com o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre, no entanto, articula sua quarta eleição à presidência da Casa com trunfos relevantes: tem bom trânsito com senadores bolsonaristas e da centro-direita, além de contar com o apoio do Palácio do Planalto. A disputa promete ser acirrada, com Marinho apostando que a exposição pública dos votos pode ser o fator decisivo para reverter o cenário a seu favor.



