Lula vê chance de "normalizar" relação com os EUA

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Auxiliares do presidente acreditam que vitória nas urnas reduz pressões americanas e abre espaço para uma "normalização pragmática" bilateral
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que há espaço para retomar a normalidade nas relações com os Estados Unidos após as eleições presidenciais no Brasil e as eleições de meio de mandato norte-americanas. Na visão de auxiliares do petista, as tensões acumuladas entre os dois países nos últimos meses tinham como pano de fundo o interesse no processo eleitoral brasileiro e a possibilidade de uma mudança na gestão. Entre os principais pontos de conflito estão o tarifaço imposto pelos EUA e a restrição de vistos a autoridades brasileiras. Para aliados de Lula, com a confirmação da vitória nas urnas, o horizonte para novas ações por parte dos EUA foi reduzido. A avaliação é de que não há motivos para o governo Trump "dobrar a aposta" contra o Brasil.
A tendência, segundo esses auxiliares, é a abertura de uma janela de oportunidade para a "normalização pragmática" da relação entre os países — o que significa que, apesar das divergências ideológicas, os governos vão buscar trabalhar a partir de interesses em comum. A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA, as chamadas midterms, também deve contribuir para a melhora no ambiente político. A avaliação do entorno de Lula é que um Congresso de maioria democrata será mais receptivo a pautas da política externa brasileira, como as questões climáticas e a regulação das big techs. Além disso, o legislativo americano pode atuar para conter possíveis novas investidas contra o Brasil e destravar propostas de cooperação que estão paradas.
Aliados lembram que o Ministério da Justiça enviou aos EUA um pedido de cooperação para rastrear a movimentação financeira e o destino dos recursos do fundo Havengate, alvo de investigação no caso Dark Horse, mas o tema não avançou até o momento. Essa normalização do cenário, no entanto, depende da postura que os Estados Unidos devem adotar daqui para a frente. Há a expectativa de um encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado, Marco Rubio, às margens da reunião do G7 na próxima semana. O encontro deve servir como um termômetro para o futuro da relação bilateral.



