Flávio Bolsonaro discursa no CPAC em Mar-a-Lago

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Senador abraça ator de "Dark horse" e diz que "ainda não foi o fim" em jantar conservador na Flórida
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discursou na última quinta-feira em um jantar do CPAC, conferência conservadora realizada em Mar-a-Lago, propriedade do presidente americano Donald Trump, na Flórida. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o senador abraçando o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro no filme "Dark horse", cuja produção entrou na mira da Polícia Federal por mensagens trocadas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre financiamento. Flávio Bolsonaro discursou em português no evento e contou com a tradução de Pedro Valente, professor de jiu-jitsu que lidera a academia Valente Brothers ao lado dos irmãos Gui e Joaquim, este último marido da modelo brasileira Gisele Bündchen.
Na fala, o senador replicou alegações infundadas de fraude eleitoral e perseguição política, afirmando que no Brasil "não há a quem recorrer para desfazer a injustiça". Ele também declarou confiar que sua trajetória política ainda não chegou ao fim. — Um ano atrás, eu jamais imaginaria que seria candidato a presidente do Brasil. Mas eu creio que era um projeto de Deus para mim e para a nação. Mesmo quando o que parece ser o final não é aquilo que esperávamos, temos que agradecer a Deus e ter ainda mais fé que ainda não foi o fim — disse. O evento foi realizado no salão Donald J. Trump, dentro do clube Mar-a-Lago, em Palm Beach. O presidente americano não aparece nas imagens do jantar.
A programação do CPAC reúne lideranças conservadoras americanas e internacionais entre os dias 4 e 7 de novembro. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também esteve entre os participantes da conferência e posou ao lado de Jim Caviezel. "Grande honra. Homem corajoso e verdadeiro cristão", escreveu o ex-deputado. Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em "A Paixão de Cristo", foi escolhido para viver o ex-presidente Jair Bolsonaro na cinebiografia "Dark horse". O filme passou a ser citado nas investigações sobre o Banco Master após a Polícia Federal identificar conversas em que Flávio Bolsonaro tratava com Vorcaro de recursos para a produção. Em uma das mensagens, o senador cobrou pagamentos relacionados ao ator e ao diretor Cyrus Nowrasteh.
Flávio confirmou ter buscado financiamento para o projeto, mas negou irregularidades. A participação na gala ocorre em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar sua interlocução com o entorno de Trump. Desde que chegou aos Estados Unidos, o senador tem buscado contatos com lideranças conservadoras americanas, com o auxílio do irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive no país há mais de um ano e mantém relações com integrantes do movimento trumpista. Apesar de o evento ocorrer em Mar-a-Lago, Trump afirmou recentemente que não tinha planos de receber o senador, embora tenha declarado que ele poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejasse. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil no fim de outubro, após se recusar a reconhecer a vitória de Lula e descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. Desde então, permanece na Flórida acompanhado da família. Após chegar aos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta de cunho golpista em que questionou, sem apresentar provas, a legitimidade do resultado eleitoral e afirmou que pretende liderar a oposição mesmo fora do país. A manifestação provocou desconforto entre dirigentes do PL e aliados que defendem a manutenção de uma atuação institucional no Congresso.



