Pronunciamento de Lula com agradecimento deve ir ao ar no domingo

Presidente Lula © Frame LulaOficial/Youtube
Lula gravou pronunciamento com agradecimento ao eleitor, ênfase em democracia e soberania, previsto para ir ao ar no domingo (8/11)
Quem acompanhou a live da vitória de Lula com André Janones, na quinta-feira, teve uma prévia do pronunciamento que o presidente já gravou e que deve ir ao ar no domingo (8/11). O discurso deve ser um grande agradecimento ao eleitor, com forte ênfase em democracia e soberania, num formato diferente do usual, em que a imagem do presidente se alterna com vídeos que circularam na internet durante a campanha. A linguagem é praticamente a mesma da live, repleta de memes e vídeos feitos por apoiadores, adaptada ao tom mais sóbrio que um pronunciamento oficial exige. A gratidão costura a mensagem do começo ao fim. Lula deve mostrar as ruas de todo o país, com destaque para a mobilização de idosos e jovens, reservando lugar de honra para a Avenida Paulista.
No ato de encerramento da campanha, em 24 de outubro, os apoiadores tomaram os 14 quarteirões da avenida, das imediações da estação Brigadeiro até a Consolação. Lula, sem conseguir avançar com o carro, quebrou o protocolo e subiu no trio elétrico reservado à imprensa. Imagens feitas por drones naquele dia devem aparecer no pronunciamento. Os temas que marcam a fala são os mesmos que embalaram a campanha, como o fim da escala 6×1, o MEI, o Pé-de-Meia universitário e o compromisso de manter os benefícios sociais. Para a economia sobrou pouco espaço. Lula vai lembrar as conquistas do governo, destacar que o Brasil voltou ao grupo das dez maiores economias do mundo, com projeção do FMI de chegar à oitava posição em 2027, e que o país vive o menor desemprego da série histórica. Também vai reconhecer a preocupação com a trajetória da dívida pública, que se traduz em juros altos, e deve se limitar a dizer que tomará medidas para que o Brasil continue entregando benefícios sociais com responsabilidade fiscal. A pelo menos um interlocutor próximo, o presidente contou que estranhou ver na imprensa seu primeiro pronunciamento depois da reeleição reduzido a um aceno ao mercado. Ele não enxerga a fala dessa forma.
Para Lula, o aceno é ao povo brasileiro. Na live, ele já tinha dado uma pista de como pretende lidar com isso daqui para a frente, ao dizer que quer falar mais diretamente com as pessoas e que vai usar cada vez mais as próprias redes para anunciar suas decisões, sem depender de interpretações. Isso não significa que o mercado ficará sem sinal. Lula quer deixar como legado a recuperação do grau de investimento, para atrair o investidor estrangeiro que, a seu ver, percebe com mais facilidade e rapidez o valor do Brasil na geopolítica atual, com a riqueza em terras raras e em meio ambiente, cada vez mais escassa no resto do mundo. Foi o que ele defendeu na quinta-feira (5/11), na primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, quando defendeu responsabilidade fiscal e uma economia arrumada para atrair capital. Os acenos a vários setores da economia vão acontecer, mas na hora que o presidente escolher. Isso só ocorrerá quando houver um acordo de fato costurado entre os setores envolvidos, o Congresso e as pastas do governo.
Entre as lições do terceiro mandato, uma das que mais pesaram foi perceber que a boa intenção dos técnicos vale pouco sem um bom combinado com quem vai aprovar, ou retaliar, as medidas. Lula quer mudar o jeito de governar, e isso passa por conversar com o Congresso antes de apresentar qualquer proposta. Na avaliação dele, quando a conversa vem antes, o texto chega ao plenário como um projeto do Executivo e do Legislativo, e não como uma conta que o governo manda para os parlamentares pagarem. A primeira dessas conversas deve acontecer a caminho da COP31, em Antália, na Turquia, para onde Lula deve viajar acompanhado de Hugo Motta e Davi Alcolumbre. O presidente pretende usar o percurso para entender com eles o tamanho real da base e o que é possível aprovar, em acordo com ela, de medidas que ajudem a organizar as contas até o fim do ano. As propostas concretas só serão analisadas a partir desse diagnóstico. Enquanto essa conversa não acontece, o Planalto pede paciência. Sem saber o que pode esperar do Congresso, Lula nem chegou a se debruçar sobre os estudos das pastas, e as ideias que circularem antes disso não devem ser lidas como posição do governo, venham de onde vierem. O presidente entendeu que os parlamentares não gostam de ler no jornal estudos que dependem dos votos deles, e essa é uma lição que parte de seus técnicos ainda está aprendendo. Na reunião sobre economia de quinta-feira (5/11), Lula fez um apelo para que ministros, secretários, ex-ministros e demais participantes respeitem o tempo da negociação e evitem antecipar medidas ou lançar balões de ensaio na imprensa e nas redes. Para que não restasse dúvida sobre quem fala pelo governo, deixou claro que Dario Durigan será o único porta-voz das medidas econômicas. Seria óbvio, já que é ele quem comanda a Fazenda, mas num governo em que muita gente costuma pensar em voz alta, o óbvio precisou ser dito. O próprio encontro foi convocado na noite em que o presidente fazia um check-up no Sírio-Libanês e leu no noticiário detalhes de medidas que ainda nem tinham chegado à sua mesa. Daqui para a frente, Lula quer que a novidade passe primeiro por ele, depois pelo Congresso e só então chegue ao público, de preferência pelas redes dele mesmo.



