Governo celebra vitória democrata e avalia relação com EUA

Lula se reuniu com presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Governo Lula vê com otimismo o avanço democrata nas midterms e aguarda reabertura das negociações bilaterais com os EUA
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu com satisfação a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas "midterms". A gestão petista aguarda agora os desdobramentos do novo cenário político para avaliar o futuro das relações bilaterais entre os dois países.
No pleito realizado na terça-feira (3/11), os democratas conquistaram o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado, representando uma derrota significativa para o presidente Donald Trump. As duas Casas, juntas, compõem o Congresso norte-americano.
Além do Congresso, os democratas obtiveram resultados expressivos nas eleições para o comando dos estados, vencendo em territórios anteriormente governados por republicanos, como Geórgia, Iowa, Texas, Ohio e Nevada.
A chamada "onda azul" foi amplamente celebrada por aliados e integrantes do governo Lula. Nas redes sociais, governistas destacaram a "derrota acachapante" de Trump e traçaram paralelos com a vitória do petista nas eleições presidenciais brasileiras.
Como havia antecipado o Metrópoles, o governo brasileiro aguardava o resultado do pleito para definir os rumos das relações entre os países, que ficaram estremecidas nos últimos meses por uma série de divergências políticas e comerciais. A expectativa é que, superado o período eleitoral, as negociações sobre temas da agenda bilateral possam ser retomadas.
Entre os assuntos pendentes está o tarifaço imposto pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. As conversas entre os negociadores foram retomadas em agosto, após uma ligação entre Lula e Trump, mas ficaram suspensas durante o período eleitoral.
Com a nova composição do Congresso dos EUA, os democratas terão mais poder para barrar propostas do governo Trump, além de ampliar a fiscalização sobre sua administração. A mudança também pode dificultar a aprovação de projetos defendidos pelo presidente nos próximos dois anos.
O novo cenário tende a ser favorável para o governo Lula. A avaliação interna é que a maioria democrata no Congresso pode viabilizar discussões sobre temas relevantes para a agenda internacional do presidente brasileiro, como meio ambiente e a regulação das "big techs". Aliados lembram que a campanha eleitoral brasileira foi marcada por "desequilíbrios" na atuação de plataformas digitais, sobretudo a Meta.
Nos últimos meses, a relação entre o Brasil e os Estados Unidos tem sido marcada por idas e vindas. Além do impasse sobre o tarifaço, houve o episódio da limitação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e, mais recentemente, a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições brasileiras, que teria sido apoiada pela Casa Branca.
Descumprindo uma decisão judicial, o senador deixou o país com destino a Miami, na Flórida, e o governo norte-americano concedeu visto de permanência.
Além disso, os Estados Unidos foram um dos poucos países a não reconhecer oficialmente a vitória de Lula. Trump chegou a sugerir fraude nas eleições, sem apresentar provas. O Palácio do Planalto adota cautela e evita reagir às declarações do republicano para não escalar a crise. O governo quer se distanciar de eventuais desgastes e evitar que o episódio seja usado politicamente.



