Gilmar Mendes critica TSE após 2º turno

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro do STF faz críticas veladas a Nunes Marques e afirma que "silêncios e hesitações não são neutros" na condução da Justiça Eleitoral
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou sua conta no X para tecer críticas veladas à condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o segundo turno das eleições de 2026. As críticas foram direcionadas ao colega de toga Kássio Nunes Marques, que presidiu a corte eleitoral durante o pleito. Na madrugada desta terça-feira (3), Gilmar Mendes publicou um texto nas redes sociais elogiando o colegiado do TSE pela garantia do processo democrático, mas alertando que "silêncios e hesitações" na condução de órgãos como a Justiça Eleitoral não são posturas neutras. "As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam. Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe. Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável. Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado", escreveu Gilmar Mendes.
O segundo turno das eleições gerais de 2026 foi marcado por polêmicas envolvendo pedidos das campanhas dos então presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Justiça Eleitoral. Ambas as campanhas solicitaram a prorrogação da votação por duas horas: os petistas alegaram insuficiência no transporte público em capitais governadas por adversários políticos, enquanto os bolsonaristas apontaram as fortes chuvas ocorridas no Sul do país. O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, não deu uma resposta imediata aos pedidos feitos no início da tarde do domingo (25) de votação. Sem uma definição da corte até os momentos finais do horário estipulado para o funcionamento das urnas, às 17h, o ministro do STF Cristiano Zanin atendeu ao pedido da campanha petista e prorrogou a votação em duas horas nos minutos finais do pleito.
Como a decisão foi tomada nos últimos momentos da votação, a maioria das urnas já havia sido encerrada. Segundo dados do TSE, apenas 34 mil votos foram computados durante as duas horas de prorrogação. Ainda assim, a medida de Zanin foi utilizada na argumentação de Flávio Bolsonaro e seus aliados para apontar uma suposta fraude eleitoral na disputa, vencida por Lula com margem superior a 4 milhões de votos. O posicionamento de Gilmar Mendes nesta terça-feira acirra ainda mais a tensão dentro do STF e a rivalidade particular entre ele e Nunes Marques. A divisão entre os dois ministros ganhou contornos mais explícitos com a discussão sobre a possível investigação do ministro Alexandre de Moraes pelas suspeitas de envolvimento no Caso Master.



