"Foi tudo obra minha", diz Flávio Bolsonaro ao NYT sobre fuga

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Senador afirma que deixou o Brasil sem apoio de nenhum governo, apesar de relatos sobre envolvimento de Trump e Milei
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista ao jornal "The New York Times", que não recebeu ajuda de nenhum governo para deixar o Brasil na semana passada, poucos dias após ser derrotado no segundo turno da eleição presidencial por Lula (PT). A declaração contradiz relatos que circulam desde então sobre um suposto apoio dos governos de Javier Milei, na Argentina, e de Donald Trump, nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite da última terça-feira (27), cruzando a fronteira de Foz do Iguaçu (PR) com Puerto Iguazú, na Argentina. Em seguida, embarcou em um voo para Miami, com escala no Equador. "Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo", declarou o senador ao jornal americano.
Apesar da negativa, o "The New York Times" informou que o avião que transportou Flávio Bolsonaro, sua esposa Fernanda Bolsonaro e as filhas até Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca. O próprio Trump declarou que o senador e sua família poderão permanecer nos Estados Unidos por tempo indeterminado.
Segundo Flávio Bolsonaro, a decisão de deixar o país foi tomada na manhã do dia anterior à fuga, logo após uma visita ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador relatou que o pai teria lhe dito: "Ele olhou nos meus olhos e disse: 'Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?'", em referência a uma possível prisão. Flávio Bolsonaro afirmou ter respondido que estava "preparado" e sabia o que precisava fazer. "Virei as costas e fui embora", completou.
O senador disse ainda que o plano de partir foi decidido apenas com a esposa, sem a participação do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos EUA, nem de aliados políticos. "Pode ter havido torcida, mas nada além disso", declarou Flávio Bolsonaro à publicação.
Na entrevista, Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado das eleições, afirmando que a vitória de Lula era "matematicamente impossível". Ainda assim, reconheceu os limites de sua posição: "Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado". Ele resumiu sua derrota com a frase: "Perdi para o sistema."
Sobre a postura de Trump diante do resultado eleitoral brasileiro, Flávio Bolsonaro avaliou positivamente o silêncio do presidente americano. "Ele não tomou partido, o que é a coisa certa a fazer", afirmou, agradecendo a Trump por permitir que ele e sua família permanecessem em território americano.
Já do exterior, Flávio Bolsonaro sinalizou que pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça que as chances de êxito são mínimas. Ele também afirmou que planeja mobilizar aliados no Brasil para defender suas pautas políticas. Quando questionado sobre uma possível pressão ao governo Trump por novas ações comerciais contra produtos brasileiros, o senador se esquivou e não respondeu, de acordo com o jornal.
Flávio Bolsonaro disse ainda não saber onde sua família irá se estabelecer definitivamente, mas não descartou um retorno ao Brasil. "Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente", afirmou.



