Dirceu defende reconstrução urgente do PT

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Ex-ministro José Dirceu afirma que vitória de Lula não foi do PT e cobra renovação interna, aproximação com jovens e evangélicos
O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) afirmou que a vitória de Lula (PT) na eleição presidencial não representou uma conquista do Partido dos Trabalhadores. Em entrevista ao jornal O Globo, Dirceu defendeu que "a renovação no PT é urgente" e que o partido precisa passar por uma profunda transformação interna para se manter relevante. "Temos que fazer quase uma reconstrução do PT", declarou o ex-deputado. Na sua avaliação, embora Lula tenha sido eleito por eleitores de diferentes espectros políticos em um segundo turno marcado pela rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o futuro da legenda "é o da esquerda".
Dirceu classificou a reeleição de Lula como "uma revolução pacífica e democrática pelo voto", fazendo referência à mobilização popular que garantiu uma virada histórica nas eleições — com a conquista de quase 10,4 milhões de votos a mais do primeiro para o segundo turno e a redução da abstenção ao menor nível em 20 anos, chegando a 19,22%. "Houve uma revolução pacífica e democrática pelo voto no Brasil. A sociedade clamou para que Lula fizesse um governo que retratasse as forças que o elegeram na composição. O presidente tem uma oportunidade histórica de chamar o país a um pacto político", afirmou Dirceu. O ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula, cargo que exerceu entre 2003 e 2005, também defendeu que o Brasil precisa de reformas estruturais. "O Brasil precisa de reformas, que precisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário. Ele tem autoridade para liderar isso", disse.
Dirceu pregou ainda que o PT se aproxime de jovens e evangélicos, superando estigmas históricos. Para ele, o partido precisa ser capaz de governar para grupos que estão insatisfeitos com a esquerda, mas que votaram em Lula pelo compromisso com a democracia. "Temos de compreender melhor os setores da sociedade, sobretudo a juventude, insatisfeitos com a esquerda. Precisamos superar essa questão que o PT é antievangélico. Não podemos ter preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas", declarou o ex-ministro. Dirceu também destacou a necessidade de o governo representar as expectativas de amplos setores sociais que não votariam em Lula em condições normais, mas que o fizeram pelo compromisso democrático. "Ele ouviu as vozes nas ruas e entendeu o recado do país. Não podemos decepcionar essas pessoas e temos que ganhar a juventude que votou legitimamente no Flávio. Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar", concluiu Dirceu. Para o ex-ministro, o PT precisa democratizar sua estrutura interna, melhorar a formação política dos filiados e aprimorar sua atuação nas redes sociais. "Temos de democratizar mais o PT, melhorar a formação política e a atuação nas redes. A renovação no PT é urgente", reforçou.



