Derrota de Trump redesenha o poder nos EUA

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Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara, deixando Trump enfraquecido para os dois últimos anos de mandato
O presidente Donald Trump sofreu uma derrota expressiva nas eleições de meio de mandato realizadas nos Estados Unidos, e passará os dois últimos anos de seu mandato enfrentando um Congresso amplamente dominado pela oposição democrata.
A colunista do UOL em Washington, Mariana Sanches, afirmou que os EUA não viam uma vitória democrata tão expressiva desde os anos 1970.
A grande surpresa da eleição foi a folga obtida pelos democratas no Senado, que já havia conquistado 54 cadeiras — três a mais do que o necessário para garantir a maioria. A disputa ainda permanecia aberta no Alasca e no Mississippi, onde os candidatos democratas lideravam por algumas dezenas de votos.
Na Câmara dos Representantes, com 59 cadeiras ainda indefinidas, os democratas já tinham obtido 237 assentos, 19 acima do mínimo necessário para a maioria de 218.
Trump reconheceu a derrota e a atribuiu em parte ao desgaste causado pela guerra com o Irã, que se seguiu aos ataques dos EUA e de Israel à república islâmica. No entanto, o presidente se eximiu de qualquer responsabilidade pessoal, argumentando que não estava diretamente na disputa. "Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora", declarou Trump.
Segundo Mariana Sanches, diante do novo cenário político, Trump não terá outra alternativa senão buscar algum tipo de composição com os democratas. "Trump terá que trabalhar com os democratas porque ele e a sua administração devem ser alvos de uma série de investigações, inclusive por suspeitas de corrupção", afirmou a colunista.
A jornalista Janaína Figueiredo, por outro lado, avaliou que a derrota não deve alterar significativamente o estilo de governo de Trump. "Ele deve continuar fazendo o que quer, sem medir consequências e apelando para as fake news", disse ela.
Para o colunista Ronilso Pacheco, a vitória democrata deve ter repercussões muito maiores do que a simples derrota de Trump. Pacheco ressaltou o avanço de candidatos de minorias étnicas e religiosas, que conquistaram posições inéditas na estrutura de poder americana. "Trata-se de uma revolução silenciosa mesmo", destacou o colunista.
No campo das relações internacionais, a economista e conselheira do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), Monica de Bolle, avaliou que a agenda de intervenção de Trump na América Latina perdeu espaço com o resultado das eleições. "Hoje a gente suspira aliviado porque a história da Doutrina Donroe, essa história de intervenção na América Latina, isso daí acabou", afirmou ela em entrevista ao UOL News.
A derrota de Trump nas eleições de meio de mandato representa um marco político nos Estados Unidos, com os democratas consolidando uma maioria expressiva no Congresso. O resultado impõe ao presidente um cenário de maior resistência institucional, investigações e necessidade de negociação política para os próximos dois anos de seu governo.



