Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio a crise bancária

O presidente do Paraguai, Santiago Peña. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Santiago Peña deixa o cargo em meio a crise política e bancária após a dissolução do Banco Ueno, o maior banco digital do país
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5/11) em meio ao avanço de um pedido de impeachment no Congresso do país. A saída ocorre em um momento de grave crise política e bancária, desencadeada pela dissolução do Banco Ueno, o maior banco digital do Paraguai.
Em comunicado publicado nas redes sociais, Santiago Peña justificou sua decisão: "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. O que faço com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que nos temos dado como nação".
Agora cabe ao Congresso paraguaio decidir se aceita ou não a renúncia de Santiago Peña, que deve apresentar o pedido formalmente ao legislativo. Caso a renúncia seja rejeitada, o processo de impeachment já aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (5/11) pode seguir seu curso. A abertura do processo foi aprovada pelos parlamentares no mesmo dia em que o presidente anunciou sua saída.
Santiago Peña tem 47 anos e foi eleito presidente do Paraguai em abril de 2023, filiado ao Partido Colorado, legenda do campo de direita. Ele sucedeu Mario Abdo Benítez na presidência, também pertencente ao mesmo partido.
A crise do Banco Ueno
O pedido de impeachment contra Santiago Peña foi apresentado por um grupo de 35 deputados, diretamente ligado à crise bancária provocada pela dissolução do Banco Ueno. A situação afeta especialmente o presidente, que é economista de formação e foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa vinculada ao grupo controlador do banco.
A crise também atingiu a cúpula do Banco Central do Paraguai (BCP). Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir o BCP, Carvallo havia sido presidente do próprio Banco Ueno, aprofundando os questionamentos sobre os vínculos entre as instituições.
O Banco Central do Paraguai determinou o encerramento das atividades do Ueno no dia 3 de novembro, após classificá-lo como insolvente, ou seja, incapaz de honrar seus compromissos financeiros. A autoridade monetária suspendeu as operações da instituição e iniciou um procedimento formal de resolução do banco digital.
O Ministério Público do país solicitou uma investigação criminal sobre o banco e pediu a prisão de dois dirigentes da instituição. As apurações envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco.
A renúncia de Santiago Peña marca um momento sem precedentes recentes na política paraguaia, com o futuro do país agora nas mãos do Congresso, que decidirá os próximos passos institucionais diante da crise.



