Oposição do Paraguai vota impeachment do presidente Santiago Peña

Presidente do Paraguai, Santiago Peña - Foto: Governo do Estado de São Paulo/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Oposição acusa Santiago Peña de responsabilidade pela crise do banco digital Ueno, que deixou 3 milhões de clientes sem acesso a recursos
Parlamentares da oposição do Paraguai devem votar, nesta quinta-feira (5), um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña na Câmara dos Deputados do país.
A iniciativa foi motivada pela acusação de que o presidente é responsável pela crise desencadeada após a intervenção no banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos seus recursos.
A sessão extraordinária do Congresso foi convocada após 35 deputados apresentarem o documento de acusação contra o chefe de Estado.
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas nesta terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição.
A decisão ocorreu ao constatar um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo.
A instituição financeira contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Santiago Peña, economista conservador que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco.
A oposição acusou o presidente de incorrer em conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou", disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra Santiago Peña.
Em resposta, Santiago Peña afirmou em publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções.
O posicionamento veio pouco antes de o presidente promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
"Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", afirmou o presidente.
O caso custou o cargo ao presidente da entidade controladora, Carlos Carvallo, e levou à prisão oito diretores da instituição sob intervenção, entre eles o presidente-executivo Miguel Vázquez.
A Procuradoria emitiu mandados de prisão contra os executivos, que se entregaram às autoridades, e acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco.
A Justiça também ordenou o bloqueio de seus bens.
Nesta quarta-feira (4), também circularam relatos sobre falhas em diversos aplicativos bancários no país, o que intensificou a preocupação em relação à confiança no sistema financeiro do Paraguai.
A Asoban (Associação de Bancos do Paraguai) informou que as instituições financeiras estavam trabalhando para atender ao grande volume de clientes que estão transferindo suas contas do banco Ueno e ressaltou que o sistema bancário continuava "operando normalmente".



