BC surpreende e mantém juros básicos em 13,75% ao ano

Foto: Banco Central/Reprodução
O Banco Central interrompeu o ciclo de cortes da Selic em meio à deterioração fiscal e às turbulências nos mercados após a reeleição de Lula
O Banco Central (BC) interrompeu o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, mantendo-a em 13,75% ao ano, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorreu em um contexto de turbulências nos mercados financeiros provocadas pelo resultado das eleições presidenciais.
Lula, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno realizado em 25 de outubro, iniciará seu quarto mandato com promessas de ampliação de benefícios sociais, em um cenário de deterioração fiscal que preocupa investidores. Desde então, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou fortes perdas e o dólar se valorizou em relação ao real.
Após uma reunião de dois dias, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic inalterada em 13,75%, um dos patamares mais elevados do mundo. O órgão justificou a decisão com base no cenário de incerteza fiscal.
O Copom "segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza", afirmou em comunicado.
A decisão encerrou um ciclo de cinco cortes consecutivos que havia sido iniciado em março, depois de quase dois anos com a taxa mantida em patamar elevado. Durante seu governo anterior, Lula pressionou o Banco Central, uma instituição independente, para que reduzisse a Selic com o objetivo de estimular a economia.
Juros elevados encarecem o crédito e desestimulam o consumo, o que reduz a pressão sobre os preços, mas também freia os investimentos. Além do cenário fiscal doméstico, o BC tem mantido uma postura cautelosa diante das restrições ao fornecimento de petróleo provocadas pela guerra no Oriente Médio, que geraram uma alta global dos preços.
Lula encerra seu terceiro mandato com emprego em nível recorde e inflação sob controle, embora a perda do poder de compra continue sendo uma das principais preocupações dos brasileiros.



