Lula diz que pobre não pagará ajuste fiscal

Lula - Foto: Guilherme Santos
Durante reunião do CNPE, Lula defendeu a responsabilidade fiscal do governo e afirmou que a população mais pobre não arcará com o ajuste das contas públicas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a abordar o tema da responsabilidade fiscal nesta sexta-feira (6/12), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Em meio às pressões do mercado financeiro por medidas de equilíbrio das contas públicas, Lula defendeu a "seriedade fiscal" do governo e garantiu que "o pobre não pagará a conta" do ajuste. Durante seu discurso, Lula comparou o nível de endividamento do Brasil com o de outros países, como Estados Unidos, Japão e Itália, e listou indicadores econômicos alcançados ao longo do mandato. "Nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil. Temos 80% de todas as categorias organizadas, fizeram acordo salarial, ganhando cima da inflação. Aumentamos o salário mínimo acima da inflação", declarou o petista.
O presidente admitiu que o mandato atual termina "menos exitoso do que gostaria", mas destacou os avanços econômicos em relação ao cenário que encontrou ao assumir o governo, em 2023. "Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Para alguém falar que a gente não tem, as pessoas têm que dizer como é que nós pegamos esse governo", pontuou. Sobre o desempenho fiscal, Lula ressaltou a mudança no resultado das contas públicas desde o início de sua gestão. "Nós pegamos esse governo com déficit de 2,8%. E nós estamos entregando o Orçamento agora com superávit. Não é o que o sistema financeiro quer porque ele quer tudo. É o que a gente pode fazer", disse.
O presidente também associou a política fiscal às ações de inclusão social, deixando claro os limites do ajuste em relação à população mais vulnerável. "A única coisa que ele [o mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. Nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício", frisou Lula. Por fim, o presidente reconheceu a necessidade de equilíbrio nas contas, mas defendeu o endividamento para fins produtivos. Lula afirmou que "ninguém pode gastar mais do que tem", mas que o país pode contrair dívidas para construir "ativos novos", como ferrovias, estradas e aeroportos. "Você pode fazer uma dívida desde que você possa pagar", ressaltou.



