Médico influenciador de BH é condenado por fake news sobre mamografia

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Médico influenciador de BH terá de pagar R$ 100 mil por disseminar falsidades sobre mamografia e câncer de mama
O médico e influenciador digital Lucas Ferreira Matos foi condenado pela Justiça Federal em Minas Gerais por disseminar desinformação sobre a mamografia e o câncer de mama em suas contas no YouTube e no Instagram. A sentença determinou o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 100 mil e proibiu que ele volte a divulgar que a mamografia aumenta a incidência de câncer, sob pena de multa diária. A ação civil pública foi movida pela Advocacia-Geral da União (AGU). Com cerca de 1,6 milhão de seguidores apenas no Instagram, o influenciador de Belo Horizonte já havia sido condenado a remover conteúdos com desinformação em outubro do ano passado. Na sentença, a Justiça considerou que o médico utiliza sua autoridade profissional para veicular informações em escala massificada nas plataformas digitais.
O juiz federal Felipe Aguiar foi enfático ao justificar a decisão: "A livre emissão de pensamento não pode servir de biombo para a disseminação deliberada de falsidades fáticas ou asserções desprovidas de sustentação científica mínima, máxime quando ostentam aptidão objetiva para sabotar políticas públicas preventivas e induzir vulneráveis à renúncia ou ao retardamento de exames imprescindíveis à sobrevida humana". A Itatiaia procurou a defesa do médico e aguarda retorno. O espaço segue aberto. Segundo a Justiça Federal, Lucas Ferreira Matos tentou amparar sua defesa em discussões acadêmicas. A Justiça, no entanto, levou em conta o parecer técnico-científico do Hospital do Câncer III e do Instituto Nacional do Câncer, que aponta que o "réu manipulou conceitos epidemiológicos legítimos para construir um discurso sensacionalista cientificamente inverídico".
A decisão também ressaltou que o ensaio clínico citado por Matos para relacionar a radiação da mamografia com a incidência de câncer é reconhecido na comunidade oncológica internacional por graves vícios metodológicos. Em relação ao dano moral coletivo, a sentença apontou que o ato ilícito do médico "alcançou contornos de extrema gravidade social", na medida em que "desgasta a confiança popular nas diretrizes sanitárias nacionais, corrói o patrimônio informacional coletivo e ostenta manifesto potencial para afastar mulheres dos programas de rastreamento precoce do SUS". A ação civil pública foi ajuizada em março de 2025 e é fruto de parceria da AGU com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR). O processo integra o projeto "Saúde com Ciência", voltado à promoção da integridade da informação em temas de saúde pública.
O registro de Lucas Ferreira Matos, de número 79768-MG, está ativo desde 7 de junho de 2019. Ele também possui registro de atuação no estado de São Paulo, inscrição secundária ativa desde maio de 2023. O médico não tem especialidade registrada em nenhum dos órgãos. Em um de seus vídeos, Lucas Ferreira Matos respondeu a uma seguidora que relatou ter dois cistos nos seios e queria saber o que poderia fazer para tratá-los. A resposta do influenciador ilustra o tipo de conteúdo que motivou a ação judicial: "Ficar fazendo mamografia? Uma mamografia gera uma radiação para a mama equivalente a 200 raios-X. Isso aumenta a incidência de câncer de mama, por excesso de mamografia. Tenho 100% de certeza que o seu nódulo benigno é deficiência de iodo", afirmou ele, baseando-se apenas na informação relatada pela seguidora. Além das afirmações sobre a mamografia, Lucas Ferreira Matos oferecia em suas redes sociais cursos que prometiam "ensinar" a combater doenças como hipotireoidismo apenas com dietas, e afirmava, sem qualquer evidência científica, que os pacientes adoecem porque remédios são fabricados com derivados de petróleo.



