AC: procurador é suspeito de encomendar morte de médica, diz Polícia Civil

Munição de arma de fogo (imagem ilustrativa)
Lucivaldo Lopes confessou ter matado a médica Elyne a mando do procurador Francisco Valadares Neto, preso no Acre
O procurador municipal de Brasiléia, Francisco Valadares Neto, prometeu pagar R$ 40 mil pela morte da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros em um bar na última segunda-feira (2) no interior do Acre. A informação foi divulgada pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (6), após a prisão de Lucivaldo Lopes de Souza, apontado como o executor do crime. Segundo o delegado Alex Dany, responsável pela investigação, Lucivaldo receberia R$ 10 mil para matar a médica. Desse total, R$ 2 mil foram entregues antecipadamente e os outros R$ 8 mil seriam pagos após a execução.
Durante a prisão do suspeito, a polícia conseguiu recuperar R$ 700 do adiantamento. "Em espécie, ele recebeu R$ 2 mil de adiantamento para executar. Os outros R$ 8 mil seriam pagos após a morte. Desses R$ 2 mil que ele recebeu, conseguimos arrecadar R$ 700, em sete cédulas de R$ 100. Então, o pagamento de R$ 40 mil envolve também outras pessoas que estão sendo investigadas", explicou o delegado Alex Dany. Elyne foi morta a tiros na noite de 2 de novembro, dentro de um bar em Brasiléia, enquanto estava com amigos. O crime é investigado como feminicídio. Lucivaldo foi preso na noite de quinta-feira (5), em uma área da zona rural de Epitaciolândia, município vizinho.
Durante o interrogatório na manhã desta sexta-feira, ele confessou ter assassinado a médica a mando do procurador municipal. Conforme o delegado, a investigação já identificou outras pessoas que participaram da intermediação entre o suposto mandante e o executor. A polícia ainda trabalha para esclarecer como foi feito o contato entre eles e qual foi a participação de cada envolvido. "É um crime de mando. Temos como mandante [Francisco] e como autor da execução o Lucivaldo. Nesse meio de campo, ainda estamos fechando as informações e já temos identificadas algumas pessoas, não apenas uma, envolvidas nessa intermediação entre o mandante e a execução da morte", explicou o delegado. Apesar da confissão, a Polícia Civil afirma que ainda há etapas da investigação a cumprir. A motivação do assassinato também não foi esclarecida, já que os investigadores ainda não conseguiram ouvir formalmente o procurador, que permanece hospitalizado em Rio Branco. "Não temos como responder sobre a motivação, visto que ela é originária da própria pessoa que encomendou a morte dela, e nós não tivemos oportunidade de interrogá-lo por causa da situação de saúde em que se encontra", disse o delegado.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de Francisco Valadares, os policiais encontraram um computador ligado com páginas e pesquisas relacionadas à morte de Elyne, além de outros objetos recolhidos para auxiliar nas investigações. Segundo Alex Dany, também foram encontrados no imóvel uma substância em pó com características semelhantes às da cocaína e uma carta, ambos apreendidos para análise. A investigadora Chayene Medeiros, que participou das diligências desde o início do caso, afirmou que a carta encontrada na residência pode contribuir para esclarecer o planejamento do crime. "Durante o cumprimento do mandado de busca, coletamos provas que vão nos ajudar a aprofundar a investigação. Foi apreendida uma carta na casa do doutor Valadares, que também nos auxiliou a avançar nas apurações sobre o crime de mando. Ainda temos muito trabalho pela frente e outros desdobramentos devem ocorrer no decorrer da investigação", afirmou a investigadora.
Chayene também destacou que a prisão de Lucivaldo ocorreu sem resistência, sem tentativa de fuga ou reação à abordagem policial. "Foram três dias intensos de investigação, de comprometimento e determinação da equipe. Todos estavam empenhados em dar uma resposta à família, à sociedade e a todas as mulheres que também esperavam isso. Conseguimos capturar o executor, mas ainda não finalizamos o caso", disse. **Investigação em andamento** A Polícia Civil informou que trabalha para identificar todos os envolvidos na contratação e na execução do assassinato. O procurador, que também é advogado e ex-vereador de Brasiléia, está com mandado de prisão em aberto, mas permanece hospitalizado. Conforme o delegado, a polícia acompanha a situação e aguarda condições para cumprir a ordem judicial. "A motivação do crime ainda depende de esclarecimentos. Nós não tivemos acesso a todos os procedimentos relacionados a possíveis episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o ex-casal, pois parte das medidas foi solicitada diretamente ao Judiciário", ressaltou Alex Dany.
O delegado afirmou ainda que os investigadores precisam concluir as diligências para esclarecer a participação de cada pessoa e reunir os elementos necessários para finalizar o inquérito.



