STJ mantém ação penal por furto de bilhete da Mega-Sena

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ARQUIVO
STJ mantém na Justiça Estadual ação penal contra ex-funcionária de lotérica acusada de furto de bilhete premiado da Mega-Sena
A disputa em torno de um bilhete premiado da Mega-Sena, avaliado em R$ 29 milhões, teve início em agosto de 2023, após uma aposta impressa com defeito em uma lotérica de Sinop (MT). O caso ganhou novo destaque depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve na Justiça Estadual a ação penal que investiga uma ex-funcionária do estabelecimento e seu marido por furto qualificado.
A aposta fazia parte do concurso que distribuiu mais de R$ 116 milhões no total. Quatro bilhetes acertaram as seis dezenas, sendo dois registrados na mesma lotérica de Sinop. Cada um dos vencedores teria direito a R$ 29.058.128,28 — valor que permanece bloqueado por decisão judicial enquanto o caso não é resolvido.
Segundo a investigação, uma cliente compareceu ao estabelecimento para registrar uma aposta no dia do sorteio da Mega-Sena. Durante a impressão, o comprovante apresentou defeito. A funcionária emitiu um novo bilhete com os mesmos números, entregue normalmente à apostadora. O primeiro comprovante, no entanto, não foi cancelado antes do sorteio. Conforme o inquérito, ele foi separado para posterior recolhimento pela matriz da rede lotérica — procedimento adotado porque, caso o estorno não fosse realizado, o valor da aposta seria debitado da própria lotérica pela Caixa Econômica Federal.
Dois dias após o sorteio, imagens do circuito interno de segurança registraram a então funcionária Clarice Simon abrindo o compartimento onde o bilhete estava guardado e retirando o comprovante. No dia seguinte, ela e o marido compareceram ao estabelecimento afirmando serem os vencedores de uma das apostas milionárias da Mega-Sena e solicitaram o desligamento do emprego. A sequência dos fatos despertou a desconfiança dos proprietários da lotérica, que acionaram a Polícia Civil.
Durante a investigação, o Ministério Público concluiu que o casal teria se apropriado do bilhete que permanecia sob a guarda da empresa e ofereceu denúncia pelos crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança e concurso de pessoas.
A tese da defesa
A defesa dos investigados sustenta que o bilhete defeituoso não pertencia mais à lotérica. Segundo os advogados, para evitar prejuízo financeiro ao estabelecimento, a ex-funcionária teria assumido o pagamento da aposta correspondente ao comprovante com defeito — circunstância que, na avaliação da defesa, teria transferido a ela a propriedade do bilhete da Mega-Sena.
Os defensores também contestam um dos principais fundamentos da investigação. Eles afirmam que o local descrito no inquérito como um cofre era, na realidade, um compartimento utilizado pelos funcionários para guardar objetos pessoais, como bolsas e pertences.
Com base nessa tese, a defesa buscou transferir o processo para a Justiça Federal, argumentando que o prêmio da Mega-Sena é pago pela Caixa Econômica Federal e, portanto, haveria interesse direto da União no caso. Também pediu que a ação penal fosse suspensa até que a Justiça definisse, na esfera cível, quem é o legítimo proprietário do bilhete premiado.
Os pedidos foram rejeitados pelo STJ. Na decisão, o ministro Ribeiro Dantas entendeu que o objeto da investigação não é o prêmio milionário da Mega-Sena, mas o suposto furto do bilhete. Para o relator, caso fique comprovado que o comprovante permanecia sob a guarda da lotérica, a vítima direta do crime seria o estabelecimento comercial, e não a Caixa Econômica Federal.
O ministro também afastou a possibilidade de suspender a ação penal até o julgamento da disputa cível, entendendo que a eventual definição sobre quem terá direito ao prêmio não interfere na apuração sobre a retirada do bilhete do estabelecimento.
Enquanto o processo criminal prossegue, o prêmio de aproximadamente R$ 29 milhões da Mega-Sena permanece bloqueado por decisão judicial, aguardando que a Justiça defina quem é o legítimo titular do bilhete.