Copom sofre pressão para reduzir juros

Foto:Raphael Ribeiro/BCB
Reunião do Copom desta semana é marcada por pressão do governo por corte de juros e tensão com o mercado financeiro
A penúltima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano, marcada para esta terça e quarta-feira (3 e 4), está no centro de uma disputa entre o governo federal e o mercado financeiro. Enquanto integrantes do governo pressionam pela redução da taxa de juros, o comitê aguarda sinalizações do presidente Lula sobre o cumprimento da meta fiscal. A tensão entre as duas partes tem gerado instabilidade no mercado financeiro.
A ex-ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, publicou uma nota criticando o que chamou de "nervosismo, apreensão e pânico" do mercado diante da simples notícia de que o presidente poderia se reunir com o economista André Lara Resende. Lara Resende é um defensor da redução da taxa de juros pelo Banco Central. "O presidente Lula sempre foi responsável fiscalmente, é só olhar para seus governos [...]. Não precisa provar ou se explicar pro mercado financeiro", afirmou Gleisi Hoffmann. Além de Gleisi, outros membros do governo também se manifestaram contra cortes de gastos. O ministro da SRI, José Guimarães, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fizeram declarações contrárias a qualquer redução nas despesas públicas, reforçando a posição do governo no embate com o mercado.
Atualmente, a taxa básica da economia, a Selic, está fixada em 13,75% ao ano. A expectativa predominante é de que o Copom dê continuidade à trajetória de redução iniciada nos últimos meses. No entanto, diante da apreensão do mercado financeiro, aliados do governo avaliam o risco de uma nova alta nos juros ou até mesmo da manutenção da taxa no patamar atual. Reflexo dessa incerteza, o dólar fechou a semana passada em alta, cotado a R$ 5,44.



