UFPE recebe R$ 40 milhões para repor equipamentos destruídos em incêndio

Ministra Luciana Santos anuncia recursos emergenciais para repor equipamentos destruídos no incêndio na UFPE, o terceiro em uma semana
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, anunciou um investimento de R$ 40 milhões para a reposição dos equipamentos de laboratório destruídos no incêndio que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O anúncio foi feito durante visita ao campus Recife, na sexta-feira (9), e se soma aos R$ 28 milhões já anunciados pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, na quinta-feira (8).
Os recursos chegam de forma emergencial por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento e Tecnologia e correspondem ao mesmo valor investido anteriormente pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na infraestrutura de pesquisa do centro atingido.
O incêndio, ocorrido na noite de quarta-feira (7), causou um prejuízo estimado em R$ 100 milhões, segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes.
"O que estou me comprometendo desde já é com uma ajuda emergencial daquilo que correspondia ao investimento que nós fizemos em infraestrutura de pesquisa. São os equipamentos que a Finep adquiriu. [...] Concomitantemente, a equipe do reitor Alfredo está reunida desde sempre fazendo levantamentos de modo a gente, na maneira mais célere possível, garantir a retomada plena da pesquisa e desenvolvimento que existia aqui", disse a ministra Luciana Santos.
Os equipamentos perdidos no incêndio eram de última geração e iam muito além de simples computadores.
No prédio destruído funcionava, por exemplo, um laboratório de Nível Biológico 3 (NB3), também conhecido como laboratório de contenção, utilizado para manipulação de patógenos como coronavírus, tuberculose, HIV, dengue e febre amarela.
Os centros de pesquisa também desenvolviam estudos sobre câncer, Covid-19 e o transtorno do espectro autista (TEA).
A previsão é que o imóvel de dois pavimentos seja reconstruído com base no mesmo projeto executivo de um centro de pesquisas da UFPE localizado em Sertânia, no Sertão do estado.
Enquanto o novo prédio não fica pronto no Recife, os equipamentos adquiridos com os recursos emergenciais funcionarão em outros laboratórios da universidade, garantindo a continuidade das pesquisas.
O vice-reitor Moacyr Cunha reforçou a importância de não interromper os estudos em andamento.
"Uma parte desses equipamentos, a maioria deles, vai ser deslocada para outros laboratórios, para continuar as pesquisas nesses laboratórios enquanto a gente consegue construir o outro [prédio]. O mais importante é não deixar essas pesquisas pararem, é dar continuidade a todos esses estudos. São estudos de décadas, é uma quantidade enorme de informações", afirmou Moacyr Cunha ao g1.
Perícia da Polícia Federal
Enquanto os recursos federais não chegam, uma perícia foi iniciada no edifício destruído.
A Polícia Federal utilizou drone e robô com câmera para visualizar os danos internos, mas a entrada segura da equipe ao local depende do escoramento do prédio, necessário para evitar desmoronamentos e preservar a estrutura durante a investigação.
O serviço será realizado por uma empresa já contratada pela UFPE, por meio de um aditivo ao contrato em vigor.
O reitor Alfredo Gomes estima que as intervenções comecem em até 15 dias.
"Nós estamos em contrato com uma empresa que trabalha aqui na universidade, em um determinado contrato, e vamos fazer um aditivo no contrato da empresa para iniciar imediatamente a escora da edificação. Esses recursos, o ministério também se comprometeu em fazer, mas a escora não é um orçamento expressivo. Precisa que a empresa volte aqui para fazer o estudo de como vai proceder, para a gente fazer essa contratação emergencial.
Não tem [data], mas eu creio que nesses próximos 15 dias a gente tem resolvido também isso", disse o reitor.
Enquanto os peritos não conseguem acessar o interior do prédio, a investigação avança com dados coletados da área externa, análise de imagens de câmeras de segurança e registros de pessoas que estavam no campus na noite do incêndio, fornecidos pela própria UFPE.
Este foi o terceiro incêndio registrado no campus Recife da universidade em uma semana, sendo o de maior proporção entre os três episódios.