Doença de Newcastle restringe aves brasileiras em 37 países

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Foco em Santa Catarina levou 37 territórios a restringir importações de aves do Brasil, mas regionalização sanitária limitou os impactos comerciais
Ao menos 37 territórios restringiram a importação de aves do Brasil após a detecção de um foco da Doença de Newcastle em um frigorífico de perus em Santa Catarina. As restrições variam em abrangência: 27 territórios limitaram as restrições à região afetada, sete ao estado de Santa Catarina e apenas três aplicaram vedações para todo o território nacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), trabalhou para ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária, o que contribuiu para reduzir os impactos comerciais do episódio. Os países que suspenderam importações de aves provenientes de todo o Brasil foram Uruguai, México e Malásia.
Já os que restringiram importações provenientes de Santa Catarina incluem China, Chile, Peru, Turquia, União Econômica Eurasiática (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia), Paraguai e Uzbequistão. A maior parte dos territórios, no entanto, limitou as restrições à área de restrição, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Entre esses estão Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Omã, Jordânia, Hong Kong, Egito, Argentina, Cuba, Vietnã, Canadá, Bahamas, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu.
O Mapa comparou a dimensão das restrições atuais com o episódio da Doença de Newcastle registrado em 2024, quando diversas suspensões de importação de aves brasileiras foram impostas de forma mais ampla. Após aquele ano, a pasta intensificou as negociações com parceiros comerciais para limitar às regiões efetivamente afetadas as restrições sobre produtos avícolas. A estratégia segue os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e busca preservar o comércio das demais regiões do país. Neste ano, quando o foco da Doença de Newcastle foi identificado em Nova Itaberaba, a abordagem mostrou resultados concretos.
Segundo o Mapa, um levantamento baseado nas exportações brasileiras de 2025 estima que o reconhecimento da regionalização sanitária evitou perdas potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano. O cálculo considera um cenário hipotético em que os países aplicassem, em 2026, as mesmas restrições adotadas em 2024, em comparação com as medidas efetivamente negociadas após o novo foco. Entre os mercados com maior impacto econômico potencial mitigado estão a China, com cerca de US$ 485 milhões em perdas potenciais evitadas, a Arábia Saudita, com aproximadamente US$ 293 milhões, e a Argentina, com cerca de US$ 57 milhões. Países como África do Sul, Jordânia, Cuba, Egito e Vietnã também contribuíram para a redução dos impactos comerciais ao adotarem restrições regionalizadas. A estratégia de regionalização sanitária adotada pelo Brasil demonstra como as negociações diplomáticas e técnicas podem limitar os danos econômicos ao setor avícola diante de focos de doenças, preservando o acesso a mercados internacionais nas regiões não afetadas do país.



