Centrão recalcula relação com PL e articula reeleição de Motta e Alcolumbre

Presidentes, Hugo Motta e Davi alcolumbre
Partidos de centro recalculam alianças para reeleição de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, limitando avanço do PL no Legislativo
O Centrão recalcula sua relação com o PL para a próxima legislatura, em meio às articulações para a reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O movimento ocorre em um contexto de reposicionamento político, após a derrota de Flávio Bolsonaro nas urnas e sua fuga para os Estados Unidos, deixando aliados sem direção clara.
Apesar de partidos do bloco terem apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, dirigentes do Centrão buscam preservar espaço nas negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e evitar que os bolsonaristas avancem sobre o comando do Congresso Nacional.
O cenário evidencia uma diferença entre alianças eleitorais e acordos parlamentares: União Brasil, PP e Republicanos apoiaram Flávio no segundo turno, mas integrantes dessas siglas já sinalizam que a posição na eleição presidencial não significa adesão automática a uma estratégia conjunta com o PL no Legislativo.
A disputa pela Câmara
Na Câmara, a movimentação em torno de Hugo Motta ganhou força com a adesão do PT à articulação pela reeleição do deputado. A federação formada por PT, PCdoB e PV declarou apoio ao atual presidente da Casa, ampliando para 361 o número de deputados eleitos vinculados a partidos que respaldam sua recondução.
O apoio, no entanto, tem uma condição: a federação ameaçou deixar o bloco caso o PL e o Novo passem a integrar o grupo. A posição foi comunicada a Motta, que afirmou que as siglas serão consultadas antes de qualquer decisão sobre a entrada de novos partidos.
A resistência dos petistas faz parte de uma estratégia para limitar o espaço da oposição na estrutura de poder do Legislativo. A composição busca dificultar uma eventual candidatura do PL, que elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027.
O movimento também aproxima o Centrão do governo Lula na disputa pelo comando da Câmara, embora não represente necessariamente um alinhamento integral entre os partidos nas votações da próxima legislatura.
A ameaça petista expõe o desafio de Motta para conciliar os interesses das legendas de centro e esquerda que apoiam sua reeleição com a pressão do PL por mais espaço. O partido de Flávio Bolsonaro deve buscar protagonismo na distribuição das comissões permanentes da Câmara.
Entre os colegiados estratégicos estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Essas comissões têm papel relevante na análise de projetos, na discussão de temas prioritários e na fiscalização de ações do governo.
O controle desses espaços pode ampliar a capacidade de influência do PL sobre a agenda legislativa e dar à oposição instrumentos para pressionar o Palácio do Planalto. A disputa por esses postos deve entrar no cálculo das negociações com o Centrão. Mesmo sem garantir a presidência da Câmara, o PL poderá usar o tamanho da bancada para reivindicar espaço nos colegiados. Para os partidos de centro, o desafio será conciliar a distribuição desses postos com a articulação pela permanência de Motta no comando da Casa.
A batalha pelo Senado
No Senado, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre. A decisão enfraquece a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disputar o comando da Casa com o respaldo das duas siglas.
Diante desse cenário, o PL marcou para 4 de novembro uma reunião para decidir se lançará o senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. O parlamentar é um dos nomes cotados pela oposição para enfrentar Alcolumbre na eleição prevista para 1º de fevereiro de 2027.
Parte da oposição defende um acordo entre Marinho e Tereza Cristina para evitar a divisão dos votos contrários à recondução do atual presidente. A avaliação é que uma candidatura unificada teria mais condições de conquistar apoio de diferentes bancadas.
Alcolumbre, por sua vez, conta com sinalizações de apoio de MDB, PSD, PT, União Brasil e PP. As cinco legendas terão, juntas, 33 senadores na próxima legislatura, oito a menos que os 41 votos necessários para eleger o presidente da Casa.
A disputa também é estratégica para a oposição por causa do poder do presidente do Senado de decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Marinho defende mudanças nas regras para análise dessas denúncias, tema de interesse do grupo bolsonarista.
Mesmo com a maior bancada da Casa, o PL dependerá de alianças para vencer a eleição. A decisão sobre Marinho e a possibilidade de um acordo com Tereza Cristina serão determinantes para medir a capacidade da oposição de enfrentar a articulação de Alcolumbre.



