Leonardo Luz: ''Como a crise humanitária em Ceuta pode desestabilizar a UE''

Leonardo Luz: ''Como a crise humanitária em Ceuta pode desestabilizar a União Europeia'' (Foto: EFE/Mohamed Siali)
Pressão migratória, envelhecimento populacional e avanço do nacional-populismo expõem fragilidades econômicas e políticas que podem colocar em xeque a integração europeia
A Europa atravessa um momento em que demografia, economia e governança política colidem de forma possivelmente irreversível, e episódios recentes como o ocorrido no enclave espanhol de Ceuta servem como um lembrete dramático dessa vulnerabilidade. As imagens de milhares de migrantes tentando cruzar a fronteira em direção ao território europeu reacenderam o alerta máximo em Bruxelas e nas principais capitais do bloco. A resposta dura de líderes europeus, que reforçaram o tom de urgência ao classificar a segurança das fronteiras externas como um pilar inegociável da soberania nacional, expõe como a gestão desses fluxos populacionais oriundos do Oriente Médio, do Norte da África e da África Subsaariana superou a esfera restrita dos direitos humanos e da segurança pública para se consolidar como o vetor central da política da União Europeia.
Quando comparado a crise dos refugiados iniciada em 2015, o cenário contemporâneo revela uma transformação profunda na postura política do continente. Enquanto o colapso de 2015 foi marcado por uma resposta inicial dividida — simbolizada pelo idealismo do "Wir schaffen das" da Alemanha —, a dinâmica atual encontra uma Europa politicamente mais exaurida, cética e defensiva. A repetição desses choques migratórios ao longo da última década, associados ao desmantelamento dos serviços públicos e aumento do custo de vida, não apenas moldou a ascensão acelerada do nacional-populismo em diversos Estados-membros, mas também impôs uma reestruturação direta dos rumos fiscais e produtivos do bloco. Trata-se de um fenômeno que hoje dita as prioridades de investimento público, tensiona os mercados de trabalho locais e ameaça a própria coerência do projeto de integração europeu.
Para compreender a centralidade da pauta migratória na política econômica, é indispensável analisar o paradoxo estrutural vivenciado pela economia europeia: o atrito entre a escassez estrutural de mão de obra e a sobrecarga percebida da infraestrutura pública. De acordo com dados consolidados do Eurostat, a idade mediana da população da União Europeia atingiu 44,9 anos em 2025 — um aumento de 2,1 anos desde 2015 —, sinalizando uma sociedade em rápido envelhecimento. A taxa de dependência dos idosos — a razão entre pessoas em idade de aposentadoria e a população economicamente ativa — caminha para patamares fiscalmente insustentáveis sem a injeção contínua de trabalhadores jovens.
Paralelamente, o mercado de trabalho do bloco opera em níveis de utilização historicamente elevados. Em 2025, a taxa de emprego na UE atingiu a marca recorde de 76,1% entre adultos de 20 a 64 anos, a maior desde o início da série histórica em 2009, somando cerca de 197,7 milhões de pessoas ocupadas. Em potências industriais e de serviços como Países Baixos (83,4%) e Malta (83,6%), a escassez de oferta de trabalho atua como um gargalo direto ao crescimento da produtividade e ao PIB potencial.
Nesse contexto, os dados do Eurostat indicam que o número de residentes na União Europeia nascidos fora do bloco superou a marca de 46,7 milhões de pessoas — cerca de 10% da população total —, com 4,2 milhões de imigrantes desembarcando de fora do bloco apenas no último ano fiscal consolidado. A Espanha liderou as entradas absolutas (incorporando cerca de 1,29 milhão de imigrantes em 2024), enquanto a Alemanha se manteve como o principal polo de retenção e acolhimento em termos absolutos. Da massa total de autorizações de residência concedidas pela primeira vez a cidadãos de fora da UE, mais de 32% tiveram como motivação direta o preenchimento de postos de trabalho.
Sem essa contribuição populacional líquida, a força de trabalho e a população total da União Europeia estariam em contração. Projeções econômicas apontam que a interrupção abrupta do fluxo migratório de trabalhadores qualificados e não qualificados poderia subtrair até 0,5% ao ano do crescimento potencial da Zona do Euro ao longo da próxima década.
Entretanto, a concentração espacial desses fluxos populacionais gerou gargalos distributivos severos. A pressão concentrada em grandes regiões metropolitanas na Alemanha, França, Países Baixos e Espanha acelerou crises de acessibilidade habitacional, elevou os custos de locação e tensionou os sistemas públicos de saúde e educação. A incapacidade dos governos centrais em expandir a infraestrutura urbana no mesmo ritmo da variação populacional converteu uma restrição técnica de oferta em profundo descontentamento social. E poucos setores foram mais impactados do que o habitacional que, nos últimos dez anos, viu seus custos subirem 10% acima da inflação, pressionando ainda mais o custo de vida, sobretudo para as gerações nascidas a partir dos anos 1980.
Por consequência, a insatisfação com a gestão dos fluxos populacionais reconfigurou a correlação de forças no Parlamento Europeu a partir das eleições de 2024, onde as bancadas formadas por partidos associados ao que tem se chamado de nacional-populismo cresceram substantivamente. No pleito de 2014, impulsionadas pelos reflexos da crise fiscal, cerca de 13% do parlamento eleito foi composto por esses partidos, ainda divididos entre grupos heterogêneos como o European Conservatives and Reformists e o Europe of Freedom and Direct Democracy. Já nas eleições de 2019, alavancadas pelos desdobramentos da crise de refugiados de 2015, essas legendas expandiram sua presença para 18%, com a consolidação da bancada do Identity and Democracy, que sozinha obteve 73 dos 751 assentos do Parlamento eleito naquele ano. Em 2024, a consolidação do nacional-populismo eurocético foi selada com a conquista de 109 cadeiras — 84 pelo recém-formado Patriots for Europe e 25 pelo Europe of Sovereign Nations —, atingindo um patamar de cerca de 15% da composição da casa (percentual que sobe para próximo de 26% caso somado o também eurocético European Conservatives and Reformists, que manteve seus 78 assentos), e atingindo uma maior capilaridade regional, com bancadas importantes eleitas em diversos países, formando dois blocos substantivos adicionais: o Patriots for Europe, liderado pelo Rassemblement National (RN) francês e o Fidesz húngaro, e o Europe of Sovereign Nations, ancorado na Alternative für Deutschland (AfD) alemã. Atuando de forma coordenada, esses blocos são, hoje, capazes de reorientar a agenda regulatória da União Europeia.
Em 2026, eleições parlamentares em estados-membros vão testar o crescimento dessas forças políticas. Na Alemanha e na Espanha, eleições estaduais e regionais servem como termômetro para a viabilidade de bancadas nacional-populistas representadas, nesses países, respectivamente, pela AfD e pelo Vox. O país ibérico ainda terá eleições gerais menos de um ano depois.
Ainda em 2026, suecos e letões irão às urnas escolher novos governos. Na Suécia, os Democratas da Suécia (Sverigedemokraterna), hoje a segunda maior bancada e a garantidora da tênue sustentação do governo de centro-direita, busca a liderança do congresso. As eleições na Letônia estão, ainda, tensionadas pelo contexto geopolítico do Báltico e dos países nórdicos, condicionados a possíveis agressões russas. Com as eleições de outubro de 2026 focadas em segurança fronteiriça, a expectativa é de uma guinada à direita que force a atual coalizão governista pró-UE a compor com forças nacionalistas, representadas pelo Aliança Nacional (NA) e legendas russófonas emergentes e bem mais radicais, como o Poder Soberano (SV) e A Letônia Primeiro (LPV).
Imersa na mesma questão russa está a Polônia, economia que mais cresce no bloco. Em 2027, as eleições parlamentares polonesas representarão um termômetro definitivo para a estabilidade do governo centrista de Donald Tusk frente ao partido nacional-conservador Lei e Justiça (PiS). Uma eventual vitória do PiS recolocaria Varsóvia em rota de colisão direta com Bruxelas em pautas migratórias e orçamentárias. O próximo ano ainda guardará o mais importante pleito europeou no curto prazo. A eleição presidencial francesa projeta-se como o maior evento político da década no continente, até então, onde uma eventual ascensão do Rassemblement National (RN) ao Palácio do Eliseu redesenharia o eixo Franco-Alemão — o motor histórico do projeto de integração europeia —, deslocando a segunda maior economia do bloco em direção a posições fortemente soberanistas e de severo controle fronteiriço.
Em todos esses pleitos, o nacional-populismo deve se utilizar da comoção criada pela crise migratória para catapultar seus resultados eleitorais. Na última década, suas lideranças foram capazes de transformar a imigração no catalisador central do debate democrático europeu ao enquadrar a gestão de fronteiras não apenas como uma questão política ou econômica, mas como uma ameaça existencial à soberania nacional, à segurança pública e à identidade cultural. Ao canalizar o descontentamento popular e a ansiedade social provocados por crises migratórias e econômicas, conseguiram ditar a agenda política, forçando legendas tradicionais de centro-direita e até de centro-esquerda a adotar retóricas mais rígidas e políticas restritivas para reter seus eleitores. Nesse contexto, episódios como os ocorridos em Ceuta tendem a alimentar a força eleitoral desses partidos, tornando-os ainda mais próximos de controlar os gabinetes centrais de seus países ou mesmo empurrar governos não alinhados às suas agendas a medidas mais duras em direção ao controle de fronteiras ou mesmo a alinhamentos mais gerais às pautas econômicas do nacional-populismo.
Diante da possibilidade de uma reconfiguração política relevante do continente, muitos dos fundamentos econômicos que balizaram o bloco europeu nas últimas décadas podem sofrer duros golpes, distanciando-os do status quo construído ao longo do período pós-guerra em direção a um modelo populista proposto pelos partidos eurocéticos. Esse movimento não necessariamente se daria em virtude de uma eventual ascensão ao poder desses partidos, mas ainda de uma aproximação programática de outros grandes partidos dos sistemas partidários nacionais em direção aos programas econômicos eurocéticos para frear suas próprias perdas eleitorais. Assim, independentemente de conquistarem maiorias consolidadas capazes de impor mudanças abruptas de condução de politica econômica, os partidos nacionalistas teriam força parlamentar para aprovar vários de seus projetos, por força própria ou com a cooperação de outras legendas.
Em termos gerais, a agenda macroeconômica dos partidos nacional-populistas europeus baseia-se no chamado "soberanismo econômico" e no combate à centralização fiscal europeia. Legendas como o RN (França) e a AfD (Alemanha) advogam ativamente pela devolução da autonomia regulatória e fiscal aos Estados-membros, desafiando a autoridade de Bruxelas na imposição de tetos de déficit e dívida. Essa plataforma busca desmontar a governança fiscal do bloco em favor de orçamentos flexíveis e focados em prioridades domésticas. O efeito colateral iminente dessa postura é o aumento da incerteza nos mercados financeiros globais, a elevação dos prêmios de risco das dívidas soberanas nacionais e o enfraquecimento do Euro como moeda global estável.
A política fiscal defendida pelo nacional-populismo se apoia em um paradoxo elementar, traduzido na promessa de ampliar os programas de seguridade social ao mesmo tempo em que reduz massivamente a carga tributária sobre os cidadãos nativos. Na visão desses partidos, serviços públicos, pensões previdenciárias e subsídios sociais devem ser preservados e expandidos para a população local, sendo financiados pela eliminação de benefícios a imigrantes irregulares e pela retenção dos repasses financeiros feitos à União Europeia. Essa plataforma rejeita os tetos de gastos rígidos e as agendas de austeridade, propondo o aumento de transferências de renda e a revogação de reformas estruturais de consolidação fiscal sob a justificativa de proteger o poder de compra e a dignidade das famílias diante da inflação e da deterioração da renda.
No entanto, a inviabilidade orçamentária dessa equação é notória. Na França, por exemplo, o RN propôs a revogação da reforma da previdência para restabelecer a aposentadoria aos 60 anos com 40 anos de contribuição, a isenção do Imposto de Renda para jovens de até 30 anos e a redução expressiva do IVA sobre produtos de energia. Análises do centro de estudos Institut Montaigne, referentes ao programa apresentado nas eleições legislativas de 2024, apontaram que o conjunto de novas despesas e renúncias fiscais custaria cerca de 85 bilhões de euros anuais, ao passo que as economias projetadas — incluindo a restrição de benefícios a imigrantes — não passariam de 14 bilhões, resultando em um agravamento líquido do déficit público de cerca de 71 bilhões de euros por ano, o equivalente a mais de dois pontos percentuais adicionais do PIB francês.
Na Alemanha, o rombo poderá ser ainda maior caso o programa da AfD seja implementado. A conjunção de aumento de subsídios e bonificações para aposentadoria com a abolição de impostos sobre herança, riqueza e das contribuições sociais pode levar a um colapso fiscal em um dos países mais austeros do continente e âncora fiscal do bloco. Estudos do Instituto da Economia Alemã (IW Köln) estimaram que os cortes de impostos propostos pela AfD somam cerca de 181 bilhões de euros — cerca de 20% de toda a arrecadação tributária federal —, enquanto simulações do DIW Berlim apontam que o conjunto de suas propostas fiscais elevaria o déficit orçamentário alemão em mais de 4% do PIB, inviabilizando o cumprimento da regra de limite de endividamento (Schuldenbremse).
As consequências diretas desse desalinhamento fiscal defendido pelas legendas populistas incidem rigorosamente sobre a inflação, as taxas de juros e os prêmios de risco sobre as dívidas soberanas. Ao bombear liquidez na economia por meio de maiores transferências de renda e corte de impostos indiretos sem a devida contrapartida de receitas sustentáveis ou ganhos de produtividade, a plataforma populista geraria pressões inflacionárias pelo lado da demanda. Diante do risco de descontrole das dívidas públicas e da instabilidade regulatória, os mercados de renda fixa reagiriam exigindo juros mais elevados para financiar os títulos dos governos. Esse aumento do prêmio de risco obrigaria o Banco Central Europeu (BCE) e os mercados locais a manterem as taxas de juros consolidadas em níveis altos por mais tempo, encarecendo o crédito para o setor produtivo, estrangulando os investimentos privados e elevando substancialmente o custo de rolagem da própria dívida pública.
Em relação ao comércio exterior e ao Mercado Único Europeu, o populismo pendula entre o euroceticismo extremo que defende a saída do bloco — como as propostas de Dexit da AfD, na Alemanha, e de Frexit, na França — e o protecionismo seletivo. Os efeitos de eventuais abandonos unilaterais do bloco, ainda que pouco exequíveis, poderiam ser ainda mais graves do que os que estamos vendo no Reino Unido. O Dexit, de acordo com o IW Köln, custaria à economia alemã cerca de 690 bilhões de euros em perda de PIB (5,6% do PIB real) ao longo de cinco anos e colocaria em risco até 2,5 milhões de empregos, destruindo a base de arrecadação que sustenta o próprio estado de bem-estar social.
As medidas protecionistas também não seriam inócuas e incluem a concessão de preferência nacional em licitações públicas, a reintrodução de restrições tarifárias/não tarifárias a importações de fora do bloco e a oposição irrestrita a grandes acordos comerciais intercontinentais (como o acordo UE-Mercosul). Essas medidas visam isolar os produtores agrícolas e a indústria nacional da competição externa, mas arriscam criar barreiras de retaliação comercial, encarecer as cadeias de suprimento e fragmentar o princípio de livre circulação de mercadorias que sustenta o ecossistema econômico europeu. Esse protecionismo, além de desincentivar a inovação, ainda é altamente inflacionista, operando como mais um vetor de pressão sobre as taxas de juros.
No mercado de trabalho, os efeitos também tenderiam a ser inflacionistas. A restrição dos benefícios previdenciários a cidadãos nativos, a redução do tempo de contribuição para aposentadoria (como defende a RN francesa) e as barreiras à entrada de imigrantes gerariam uma escassez aguda de trabalhadores, pressionando a inflação salarial, reduzindo a produtividade média e elevando a insustentabilidade dos sistemas previdenciários. Uma combinação potencialmente fatal em um continente que vem sofrendo com a perda de competitividade e apresenta taxas de fertilidade cada vez mais baixas. A escassez crônica de trabalhadores impulsionaria a elevação dos custos salariais nominais sem o ganho correspondente de produtividade, retroalimentando pressões inflacionárias de custos e reduzindo a competitividade das exportações europeias no mercado global.
Para além dos efeitos diretos dessas políticas sobre os Estados-membros, há ainda aqueles que atingem a operação do bloco em suas operacionalidades. Mesmo que grande parte desses partidos não mais advogue a saída unilateral de seus países do bloco — ou mesmo que ainda o façam, não o consigam —, é crível que alguns artigos da Constituição Europeia sejam eventualmente revistos ou mesmo desobedecidos unilateralmente por alguns membros.
Um dos riscos que geram mais temor — e que parece não tão distante de acontecer — é o restabelecimento unilateral e prolongado de controles nas fronteiras terrestres internas, o que fragilizaria um dos maiores ativos econômicos do bloco: a livre circulação de pessoas e mercadorias. A imposição de pontos de checagem nas artérias de transporte transfronteiriço reintroduziria custos de fricção logística. Estudos apontam que a deterioração permanente do Espaço Schengen pode custar bilhões de euros anuais à indústria do continente em decorrência do aumento do tempo de trânsito de insumos e produtos acabados.
Outro ponto de preocupação é a fragilização do euro. Embora os partidos populistas tenham majoritariamente abandonado as propostas de abandono formal da moeda única, a promoção de políticas fiscais expansionistas combinada ao desafio deliberado às regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento recriaria o risco de fragmentação financeira. Se um governo de uma grande economia do bloco adotar uma trajetória de déficit fiscal incompatível com a dívida pública, o prêmio de risco exigido pelos investidores nos títulos soberanos tenderia a se elevar, tensionando a atuação do BCE, que pode ser forçado a acionar instrumentos de gestão de crises para conter a escalada dos spreads de juros e preservar a integridade do sistema financeiro da Zona do Euro. No passado, o risco da dívida de uma pequena economia do bloco — a Grécia — já havia escancarado esse risco, mesmo em um cenário de grande estabilidade política da UE e de grande solidez fiscal da Alemanha — o que já não é mais o caso.
A crise vista em Ceuta é, portanto, muito mais do que uma questão humanitária e deve ser observada com atenção. O avanço da pauta migratória como bandeira eleitoral, ao atuar como o principal catalisador do euroceticismo contemporâneo, impõe ameaças diretas às estruturas centrais do projeto europeu. À medida que o nacional-populismo se consolida como uma das principais forças políticas da UE e se aproxima de conquistar o poder em diversos países do bloco, sobretudo Alemanha e França, onde pode-se dizer, hoje, que são os favoritos, sua agenda econômica passa a ser um risco existencial à economia europeia.
O verdadeiro desafio da Europa ao longo da próxima década residirá em sua capacidade de equacionar o imperativo de absorção de força de trabalho externa para sustentar seus sistemas previdenciários e seu crescimento potencial, com a exigência política de manter a coesão social e resiliência ante os ruídos políticos. A falha no alinhamento dessa equação ameaça comprometer a produtividade do bloco e colocar em xeque o projeto de integração econômica continental construído no pós-guerra.