Flávio Bolsonaro é alvo de ação da coligação de Lula no TSE

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Coligação de Lula pede ao TSE retirada de vídeo de Flávio Bolsonaro sobre preço de alimentos e multa de R$ 240 mil
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma publicação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre o preço da picanha. A defesa de Lula sustenta que o vídeo reúne trechos de dois discursos feitos em momentos distintos para atribuir ao presidente a sugestão de que os brasileiros deveriam substituir carne por ovos diante do alto custo dos alimentos. A ação questiona a publicação feita em 13 de agosto nas contas de Flávio Bolsonaro no Facebook e no Instagram.
Na legenda, o candidato escreveu: "Quanto tá a picanha na sua cidade? Coloque o preço nos comentários!". Segundo a representação, o problema não está apenas na crítica política, mas na edição das declarações usadas no vídeo, que teria retirado as falas de seus contextos originais. A coligação argumenta que a montagem cria uma narrativa enganosa. "A descontextualização promovida por este recorte para difundir a falsa ideia de que, primeiro, Luiz Inácio Lula da Silva teria prometido aos eleitores alimentos de melhor qualidade a um preço mais acessível para, depois, sugerir que deveriam contentar-se com alimentos menos nobres", afirma a coligação na ação.
Os advogados de Lula sustentam que, no segundo discurso utilizado na montagem, o presidente não falava em substituir um alimento por outro, mas defendia o aumento do poder de compra dos brasileiros por meio da valorização do salário mínimo. "Luiz Inácio Lula da Silva não sugeriu que os brasileiros devessem trocar carne por ovo, mas sim defendeu a valorização do salário-mínimo para alavancar o poder de compra do povo (...) a propaganda eleitoral busca atrelar ao candidato a falsa ideia de que sugerira a troca da carne por ovo, em escárnio ao custo dos alimentos", diz outro trecho da representação.
A representação também questiona a forma como a publicação foi divulgada. De acordo com a coligação, Flávio Bolsonaro destinou R$ 105 mil para ampliar o alcance do conteúdo nas redes sociais. A defesa de Lula considera que houve impulsionamento irregular de propaganda em publicação que induz os eleitores ao erro. Diante disso, a coligação pede ao TSE a retirada da publicação e que Flávio Bolsonaro seja impedido de realizar novos impulsionamentos de conteúdos "substancialmente idênticos". Também solicita a aplicação de multa de R$ 240 mil pela suposta irregularidade da propaganda e de seu impulsionamento.
A contestação integra uma série de ações apresentadas pela campanha de Lula ao TSE contra publicações de Flávio Bolsonaro e do PL. Na véspera, a coligação levou à Corte mais de 20 pedidos relacionados a conteúdos publicados durante a campanha do adversário. Entre os pontos questionados estão vídeos produzidos com inteligência artificial sem a identificação exigida pelas regras eleitorais, edições de declarações e conteúdos que, segundo os autores das ações, apresentam fatos falsos ou fora de contexto. O argumento central é que esse tipo de edição pode modificar o sentido original das declarações e induzir o eleitor a uma interpretação diferente daquela apresentada no conteúdo integral.