Lulinha pede R$ 10 mil por vídeo de vice de Flávio que o associa a crimes

Lulinha move ação contra deputado Alfredo Gaspar por vídeo produzido com IA que o associa a crimes; esta é a segunda ação do tipo
O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ingressou com uma ação judicial na Justiça de São Paulo pedindo R$ 10 mil por danos morais ao deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. O processo foi protocolado na última segunda-feira (24), mesmo dia em que o vídeo foi publicado, e também solicita a retirada imediata do conteúdo.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Gaspar no X (antigo Twitter), produzido com Inteligência Artificial (IA), no qual Lulinha é inserido em uma narrativa que o associa diretamente a crimes. No vídeo, o deputado afirma que Lulinha é a "estrela da corrupção" e relaciona a residência do empresário em um condomínio de luxo em Madri, na Espanha, ao patrimônio de moradores famosos do local. "Enquanto os vizinhos são estrelas do futebol, Lulinha é a estrela da corrupção, mas vai ser preso. O Brasil não suporta mais essa impunidade", afirma o político na publicação.
A defesa de Lulinha argumenta que as imagens e a narrativa foram distorcidas e retiradas de contexto com o objetivo de estabelecer uma relação entre atos ilegais e o empresário. Vale destacar que Lulinha é investigado na Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a desvios de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apesar de ser alvo das investigações, ele não foi condenado pelos crimes.
No vídeo, Gaspar ainda afirma que "eles roubaram". Essa não é a primeira vez que Lulinha recorre ao Judiciário contra integrantes da oposição ao governo do pai. Anteriormente, ele moveu uma ação pedindo indenização por danos morais e tutela de urgência contra Flávio Bolsonaro, em razão de um vídeo publicado no X e no Instagram, intitulado "MISSÃO: LOCALIZAR LULINHA", também produzido com IA. Assim como na publicação de Gaspar, o conteúdo associava a imagem de Lulinha à condição de "suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil", em referência às fraudes envolvendo beneficiários do INSS.
Naquele caso, a defesa argumentou que, embora o nome de Lulinha apareça nas investigações da Polícia Federal (PF), "não lhe teria sido atribuída participação nas fraudes". Por isso, foram solicitados a remoção do vídeo, a proibição de republicação do conteúdo e a preservação dos dados e informações relacionadas às postagens. O pedido de remoção foi negado pela juíza Alessandra Lopes Santana de Mello, da 41ª Vara Cível de São Paulo, mas foi determinada a preservação dos dados relacionados à publicação. A magistrada considerou que os documentos apresentados não eram suficientes, naquele momento, para concluir que o vídeo era falso ou que havia elementos que comprovassem a ilicitude do conteúdo. A medida tem caráter cautelar e busca reunir informações sobre o alcance dos conteúdos, como número de visualizações, compartilhamentos e republicações, além de eventual impulsionamento pago. A intenção é permitir, ao longo do processo, a apuração da extensão da divulgação dos vídeos e de possíveis prejuízos ou repercussões causados pelas publicações.