Influenciador Buzeira é solto após 10 meses de prisão preventiva
Influenciador foi solto após decisão do TRF-3 que concedeu dois habeas corpus; ele estava preso desde outubro de 2025 pela Operação Narco Bet
O influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira, foi solto do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, no interior de São Paulo, na última quarta-feira (19). Ele permanecia preso preventivamente desde outubro de 2025, quando foi detido durante a Operação Narco Bet, conduzida pela Polícia Federal.
A liberdade foi determinada pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que concedeu, na segunda-feira (17), dois habeas corpus apresentados pela defesa. A decisão estabeleceu a soltura mediante o cumprimento de medidas cautelares alternativas à prisão.
A Operação Narco Bet e as investigações
Buzeira foi preso em 14 de outubro de 2025, em Igaratá, interior paulista, no âmbito da Operação Narco Bet, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas.
Segundo as investigações, a organização utilizava criptomoedas, remessas financeiras ao exterior e empresas ligadas a plataformas de apostas para movimentar e ocultar recursos.
A operação contou com apoio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (BKA), e a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores estimados em mais de R$ 630 milhões.
De acordo com a Polícia Federal, Buzeira mantinha uma relação financeira com o contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como operador do esquema. A investigação indica que Morgado teria movimentado cerca de R$ 313 milhões entre 2019 e 2024 e transferido R$ 19,7 milhões para contas da empresa Buzeira Digital, da qual o influenciador é sócio.
Denúncia por rifas clandestinas
Em junho deste ano, Buzeira também foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem de dinheiro e organização criminosa em uma investigação relacionada a rifas clandestinas, estelionato e fraudes em sorteios pela internet.
Segundo a denúncia, o influenciador promovia sorteios de imóveis e veículos de alto valor nas redes sociais.
O MPF aponta que, quando os números sorteados não eram vendidos de forma regular, os prêmios poderiam ser direcionados a pessoas utilizadas como intermediárias para manter os bens sob controle dos organizadores.
A 5ª Vara Federal de Santos recebeu a denúncia e determinou o envio dos autos à Polícia Federal para análise conjunta com as informações da Operação Narco Bet.
Em nota divulgada na segunda-feira (17), a defesa de Buzeira afirmou que recebeu a decisão do TRF-3 com tranquilidade e que as acusações serão esclarecidas no processo. Os advogados também informaram que não comentarão detalhes da denúncia em razão do segredo de Justiça.
Anteriormente, o advogado Jonas Reis, que também integrou a defesa, havia declarado que Bruno Alexssander é "trabalhador, possui residência fixa, fonte de renda lícita" e atua como criador de conteúdo digital.
A nota oficial do escritório responsável pela defesa foi direta: "O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, representado pelos sócios EUGÊNIO CARLO BALLIANO MALAVASI e LUCAS GABRIEL RUIVO FERREIRA, que patrocina a defesa do influenciador digital BRUNO ALEXSSANDER SOUZA SILVA, popularmente conhecido como "BUZEIRA", recebe com serenidade e profundo respeito a decisão colegiada proferida pela 5ª Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que concedeu os 2 (dois) habeas corpus impetrados em favor de BRUNO, restituindo-lhe a liberdade mediante a fixação de medidas cautelares diversas do cárcere, em prestígio ao princípio constitucional da presunção de inocência. Os fatos objeto da denúncia oferecida pelo MPF em desfavor de BRUNO serão devidamente esclarecidos no bojo do devido processo legal, de modo que a defesa se manifestará nos autos da ação penal no momento processual oportuno, deixando de tecer comentários a respeito das imputações que lhe são dirigidas, em respeito ao segredo de justiça."
Após cerca de 10 meses preso, Buzeira deixou o CDP de Caiuá sujeito ao cumprimento das medidas cautelares fixadas pelo tribunal.
O caso segue em andamento, com as investigações da Operação Narco Bet e a denúncia por rifas clandestinas tramitando na Justiça Federal.



