
Foto: Supermercados BH / Divulgação
A possível fusão entre o Supermercados BH e o Grupo DMA, controlador das redes Epa e Mineirão Atacarejo, pode criar um gigante do varejo com faturamento de R$ 34,6 bilhões. A operação consolidaria a presença das marcas no Sudeste e ampliaria a atuação no Nordeste, mas especialistas alertam para riscos de concentração de mercado e pressão sobre pequenos fornecedores, o que deve exigir análise rigorosa dos órgãos reguladores.
O acordo entre o Supermercados BH e o Grupo DMA representa um dos movimentos mais relevantes do setor supermercadista brasileiro nos últimos anos. A combinação das redes reuniria uma base expressiva de lojas e consumidores, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste do país. Analistas do setor apontam que, além dos ganhos de escala, a operação pode gerar impactos significativos na cadeia de fornecimento, com potencial pressão sobre produtores e distribuidores de menor porte.
Paralelamente à movimentação envolvendo o Supermercados BH, o segmento de atacarejo como um todo passa por uma fase de maturação e busca novas alavancas de crescimento. A principal estratégia adotada pelas redes é a ampliação do sortimento de produtos, visando atender diferentes perfis e missões de compra. Dados da Scanntech e McKinsey revelam que, embora 49,3% do volume comercializado ainda seja voltado para abastecimento, categorias como peixes e legumes registraram crescimento de 10% cada entre janeiro e outubro de 2025.
O movimento, denominado "atacarejo de conveniência", busca atender compras expressas e ocasionais, exigindo adaptações operacionais para oferecer conveniência sem abrir mão da eficiência característica do modelo.
Outro tema de destaque para a economia mineira é a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O tratado tem potencial para ampliar os US$ 7,5 bilhões exportados por Minas Gerais ao bloco europeu em 2025, sendo que a agroindústria representa 77% desse montante. O café não torrado figura como o principal produto da pauta exportadora mineira para o bloco, somando US$ 5,569 bilhões no ano passado.
Minas Gerais lidera o ranking de exportações e de dependência do mercado europeu entre o grupo das Onças Brasileiras, devendo ser beneficiada pela eliminação imediata ou gradual de tarifas que atualmente alcançam média de 4,2%. A redução dessas barreiras comerciais deve impulsionar ainda mais a competitividade do café e de outros produtos agropecuários do estado no mercado internacional.