
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Fragilizado após derrotas no Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira, 7, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, para uma "visita de trabalho". O encontro tem caráter menos formal do que uma "visita de Estado", com menos protocolos e cerimoniais, e marca o primeiro contato presencial entre os dois líderes após meses de adiamentos e tensões diplomáticas.
A visita de Lula à capital americana vinha sendo postergada desde março, quando os dois governos não conseguiram alinhar uma data para a reunião, que havia sido articulada desde o fim do ano passado e combinada em janeiro, em telefonema entre os dois presidentes. O encontro, inicialmente previsto para março, foi adiado em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, envolvendo a guerra no Irã, além de conflitos de agenda e prioridades do governo americano.
Nesta quinta-feira, Lula levará a Trump uma agenda focada em temas estratégicos e econômicos, entre eles: - Uma possível parceria no controle do fluxo financeiro de organizações criminosas transnacionais, com foco em investigação conjunta e combate ao crime organizado; - Discussões sobre tarifas comerciais e política tarifária e não tarifária entre os dois países; - A questão dos minerais raros e o interesse americano nos recursos naturais brasileiros; - Regulação de big techs e data centers; - Energia, petróleo e questões diplomáticas bilaterais.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou na terça-feira, 5, que o encontro representa uma boa oportunidade para os dois países firmarem acordos em diversas áreas. "Então, vamos conversar sobre big techs, terras raras, data centers, política tarifária e não tarifária. Você tem aí uma agenda importante", disse Alckmin em entrevista à GloboNews. "Estou muito confiante nessa ida do presidente Lula e nesse encontro com o presidente Trump."
Segundo Alckmin, Lula tem deixado claro que não há tema proibido na pauta. Entre os assuntos prioritários, está a proposta de assinatura de um novo acordo de combate ao crime organizado. "Em relação ao crime organizado, esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump e vai levar novamente, que é um acordo para o combate a organizações criminosas transnacionais. Nós podemos fazer muita parceria nessa área: controle de fluxo financeiro, investigação. Esse é um tema extremamente relevante", declarou o vice-presidente.
Nas últimas semanas, Lula elevou o tom em críticas a Trump, e os dois governos atravessaram uma crise diplomática que chegou a envolver a expulsão de agentes policiais. Apesar disso, interlocutores do presidente brasileiro avaliam que a reunião ocorre "em um bom momento", em que Estados Unidos e Irã debatem um possível acordo de paz. A expectativa é que avanços em acordos comerciais e em temas de segurança pública possam gerar dividendos políticos para Lula às vésperas do período eleitoral no Brasil. O calendário eleitoral brasileiro também pesou na decisão de não adiar mais o encontro. Integrantes do governo temiam que, caso a reunião não ocorresse agora, ela poderia não acontecer nos meses que antecedem o pleito, o que seria politicamente desvantajoso para Lula.