
Donald Trump e Benjamin Netanyahu em encontro na Casa Branca — Foto: ALEX WONG / Getty Images
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tiveram uma ligação telefônica "tensa" pouco antes de Israel anunciar que buscaria negociações para um cessar-fogo com o Líbano. A informação foi divulgada pela CNN, citando fontes norte-americanas e israelenses.
De acordo com as fontes, os líderes tiveram pelo menos três conversas nesta semana nas quais o Líbano foi o tema central. Na ligação de quinta-feira, Netanyahu entendeu que, se não solicitasse negociações diretas com o país do Oriente Médio, Trump poderia simplesmente declarar um cessar-fogo unilateralmente.
As três conversas entre Trump e Netanyahu ocorreram em sequência:
* Na terça-feira (7), os líderes conversaram antes de Trump anunciar um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Segundo a fonte israelense não identificada, Netanyahu pressionou o republicano para que o Líbano ficasse de fora do acordo de cessar-fogo.
* Na quarta-feira (8), Trump pediu a Netanyahu que reduzisse os ataques contra o grupo Hezbollah, após ofensivas israelenses terem resultado em 303 mortes no Líbano, conforme dados do Ministério da Saúde libanês.
* Na quinta-feira (9), a conversa considerada "tensa" aconteceu pouco antes do premiê israelense anunciar sobre negociações diretas para uma trégua com o Líbano.
O gabinete de Netanyahu contradisse a informação sobre tensão na conversa, afirmando que a ligação entre o líder israelense e Trump foi "amigável". "Os dois líderes estão trabalhando em plena coordenação e com respeito mútuo", declarou o gabinete em comunicado.
Na terça-feira (7), Trump havia concordado em suspender os ataques ao Irã por duas semanas após analisar uma proposta de cessar-fogo intermediada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O presidente americano anunciou a decisão em sua rede social Truth Social, após ter anteriormente ameaçado "destruir uma civilização inteira" caso o Irã não abrisse o Estreito de Ormuz.
"Este será um cessar-fogo bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado", escreveu Trump.
O Paquistão tem atuado como mediador na tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio, junto com Egito, Turquia e Arábia Saudita. Conforme Sharif, os esforços diplomáticos avançam de forma "constante, firme e eficaz", com potencial para resultados concretos no curto prazo.
O conflito atual teve início quando Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então, mais de duas mil pessoas morreram. O republicano acusou o Irã de rejeitar "todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares". Israel também anunciou ataques contra o Irã na ocasião.
Em resposta, o regime iraniano lançou uma série de ataques em diversos países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Um elemento crucial do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, considerado o principal gargalo logístico energético do mundo.
Sem previsão para um acordo definitivo entre os países envolvidos, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março, quando afirmou que "a fome nunca foi tão grave como agora".