
O Unicef informou, nesta sexta-feira, que onze crianças foram mortas ou feridas, em média, a cada 24 horas no Líbano durante a última semana. O dado alarmante foi divulgado enquanto Israel ampliava seus ataques em todo o país, apesar do cessar-fogo em vigor desde abril.
Pesados ataques israelenses atingiram cidades e vilarejos no sul do Líbano durante a noite de quarta-feira e na quinta-feira, após Israel declarar uma nova faixa da área como zona de combate. Um prédio nos subúrbios do sul de Beirute também foi atingido na quinta-feira.
Ao todo, 77 crianças foram mortas ou feridas nos últimos sete dias, segundo o Unicef, com base em números fornecidos pelo Ministério da Saúde Pública do Líbano. Desde o início do cessar-fogo, em 16 de abril, 55 crianças foram mortas e 212 ficaram feridas, de acordo com a agência.
O porta-voz do Unicef, Ricardo Pires, fez um apelo para que todas as partes respeitem integralmente o cessar-fogo. "De acordo com a lei humanitária internacional, as crianças e a infraestrutura civil precisam ser protegidas", disse ele.
O cessar-fogo anunciado por Washington tinha como objetivo interromper os combates entre as tropas israelenses e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, desde 2 de março. No entanto, a escalada das atividades militares continua gerando graves preocupações humanitárias.
A Organização Mundial da Saúde também se manifestou na sexta-feira, afirmando que a expansão das atividades militares representa sérias ameaças à saúde da população libanesa. Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, foram registrados 27 ataques a instalações de saúde no Líbano, resultando em 25 mortes e 42 feridos.
Segundo a OMS, 16 hospitais e 13 centros de saúde primária foram danificados nos ataques. O cenário reforça o apelo do Unicef pelo cumprimento das normas do direito humanitário internacional, com ênfase na proteção de civis, especialmente crianças, em meio ao conflito em curso no Líbano.