
Filósofo e sociólogo francês Edgar Morin - Reprodução/Instagram
O mundo perdeu, nesta sexta-feira (29/5), um dos maiores pensadores do século 20: o francês Edgar Morin, filósofo, sociólogo e autor de cerca de 80 livros, morreu aos 104 anos. Conforme a notícia se espalhava pelos principais veículos da França ao longo do dia, Morin foi celebrado por importantes autoridades do país, a começar pelo presidente Emmanuel Macron.
Macron prestou homenagem ao pensador nas redes sociais, acompanhando a mensagem de uma foto ao lado de Morin. "Soldado da Resistência, militante e libertado, escritor e pensador do século, defensor da natureza e dos povos, Edgar Morin era o humanismo em pessoa", escreveu o presidente. "Com sua benevolência, sua curiosidade, ele não parava de nos iluminar. Pensamento complexo, vida fecunda, espírito universal. Dirijo aos seus entes queridos as condolências da nação".
A ministra da Cultura, Catherine Pégard, descreveu Edgar Morin como um "combatente incansável da liberdade", enquanto o ex-presidente François Hollande destacou o papel do filósofo ao longo do século passado. "Buscou durante toda a sua vida para onde ia a humanidade, fornecendo-lhe as chaves para a compreensão de sua evolução. Ele construiu suas reflexões ao tomar emprestado de todas as disciplinas científicas", afirmou Hollande.
O ex-ministro da Educação Jean-Michel Blanquer, que escreveu com Edgar Morin a obra "Quelle École Voulons-nous?" — que escola queremos? —, em 2020, recordou que o filósofo confrontava suas ideias com o que era diferente em discussões que podiam durar horas.
Já o diplomata Dominique de Villepin, premiê francês entre 2005 e 2007, ressaltou o legado intelectual do autor. "A morte de Edgar Morin nos deixa órfãos de uma voz rara: a de um homem que nunca renunciou a pensar a humanidade em toda a sua complexidade. Ele nos lega a esperança de uma política de civilização capaz de reconstruir um mundo desmoronado", escreveu. "Seu pensamento nos abre o caminho. Sua voz, tão amigável e fraterna, nos acompanhará por longo tempo."
Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical francesa pelo França Insubmissa, também prestou tributo a Edgar Morin, lembrando-o como um "antifascista, resistente, teórico da complexidade" e destacando que ele, "lúcido, benevolente, pensador, aos 102 anos, tomou parte nos protestos contra o massacre dos palestinos em Gaza".
A morte de Morin encerra uma trajetória intelectual de mais de um século, marcada pela busca incansável pela compreensão da condição humana.