
Bandeira da OTAN - Foto: Wikimedia Commons
Mark Rutte, chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tem um encontro marcado nesta quarta-feira (8) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio de um cessar-fogo com o Irã no Oriente Médio. Este encontro ocorre em um momento delicado, já que Trump ameaça abandonar a Aliança Atlântica.
Anteriormente, Mark Rutte manteve conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. As discussões entre Rutte e Rubio focaram nas operações militares contra o Irã, na guerra na Ucrânia e no fortalecimento da coordenação e "divisão de encargos" com os aliados da Otan, conforme comunicado emitido por Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.
Os Estados Unidos desempenham papel militar central na Otan desde sua fundação em 1949, mas no ano passado conseguiram que os demais membros da Aliança aumentassem significativamente seus gastos com defesa até 2035.
Diante de Trump, Mark Rutte provavelmente recorrerá à sua relação pessoal com o presidente americano para tentar amenizar as duras críticas que este faz à organização. Trump não poupa elogios ao chefe da Otan, a quem chama de "um cara formidável" e "genial", mas critica os europeus por se recusarem a apoiar os Estados Unidos e Israel na ofensiva contra o Irã, que agora cumprem um cessar-fogo de duas semanas estabelecido há menos de 24 horas.
O Irã confirmou na terça-feira (7) o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos e anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico por duas semanas. O anúncio veio após Trump declarar que adiaria por duas semanas ataques contra Teerã, desde que o país reabrisse a importante rota marítima.
Em comunicado oficial, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Seyed Abbas Araghchi, agradeceu ao primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pelos esforços para encerrar o conflito na região. Segundo Araghchi, as forças armadas iranianas interromperão suas "operações defensivas" caso os ataques contra o país cessem.
O chefe da pasta iraniana de Negócios Estrangeiros também afirmou que a decisão considera o pedido dos EUA para negociações baseadas na proposta de 15 pontos do Irã, assim como o anúncio de Trump sobre a aceitação da estrutura geral da proposta de 10 pontos iraniana como base para as negociações.
O conflito atual teve início em 28 de fevereiro, quando Donald Trump anunciou que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir suas forças armadas e seu programa nuclear. Desde então, mais de duas mil pessoas perderam a vida.
Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar "todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares", afirmando que os EUA "não aguentam mais". Na mesma ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano desencadeou uma série de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto crucial do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, considerado o principal gargalo logístico energético do mundo.
Sem previsão para um acordo definitivo entre os países envolvidos, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março, quando afirmou que "a fome nunca foi tão grave como agora".