
Símbolo do Comando Vermelho marcado em um poste no Pará. (Foto: Sebastiao Moreira/EFE/EPA)
Classificados como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) somam juntos cerca de 70 mil membros distribuídos pelo Brasil e por dezenas de outros países.
Os dados foram levantados a partir de informações divulgadas pelo Ministério Público de São Paulo e do relatório da organização InSight Crime.
As duas facções têm origens semelhantes: ambas surgiram como organizações de autoproteção dentro do sistema prisional. O PCC nasceu em São Paulo, em 1993, após uma partida de futebol, como resposta ao massacre do Carandiru, ocorrido um ano antes, quando a polícia matou 111 detentos durante uma rebelião.
A expansão do PCC
Investigações do Ministério Público indicam que, em 20 anos, o PCC saltou de 5 mil membros, atuando exclusivamente em São Paulo, para 40 mil integrantes com presença identificada em 28 países.
A Justiça aponta que o líder máximo da facção é Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", preso há quase 30 anos. O MP estima que o PCC movimente cerca de R$ 10 bilhões por ano.
O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, considerado um dos principais inimigos da facção, disse à CNN que a organização possui estrutura semelhante à de uma máfia.
"O fato mais grave é que o PCC tomou uma proporção tão grande e eficiente que já tem seus setores muito bem estruturados nas ruas, com quatro ou cinco membros capazes de assumir a liderança dessas áreas. Dessa forma, quando prendemos um integrante, outro o substitui. Essa organização, que tem feição de máfia, está pronta para funcionar sem a ordem direta dos seus líderes", afirmou.
O Comando Vermelho e seu domínio territorial
Mais antigo que o PCC, o Comando Vermelho surgiu no Rio de Janeiro na década de 1970, a partir da convivência entre criminosos comuns e presos políticos contrários ao regime militar.
Considerado menor que o PCC, o CV conta com cerca de 30 mil membros, segundo o relatório da InSight Crime.
A facção expandiu sua atuação na América do Sul por meio de parcerias com grupos guerrilheiros, que abriram caminho para o tráfico de cocaína e armas em direção ao Brasil.
Um relatório recente da Polícia Federal apontou a presença de membros do CV no Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia.
No Rio de Janeiro e em outros estados brasileiros, a facção se especializou na ocupação de territórios e na extorsão de moradores, cobrando por serviços como transporte clandestino, internet e gás.
Rodrigo Pimentel, que combateu o CV em favelas do Rio de Janeiro quando era capitão do Bope, confirmou à CNN esse cenário de domínio territorial exercido pela facção.
"O CV não é só maconha e cocaína. É R$ 50 a mais no botijão de gás, o sinal de TV ou a internet que eles roubaram das empresas legalizadas. Eles queimaram empresas. Recentemente, um jovem em Fortaleza foi assassinado porque vendia churrasquinho e não quis pagar uma taxa de R$ 1 mil por mês. O CV acabou com a atividade econômica local e com o microempresário", afirmou.
Juntos, PCC e CV representam uma das maiores ameaças ao crime organizado no Brasil e na América Latina, com estruturas consolidadas, presença internacional e capacidade de operação independente de seus líderes.