
Reunião entre Trump e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos - Foto: Shutterstock
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (15) novas sanções contra mais de 200 indivíduos, empresas e embarcações envolvidos na exportação de petróleo e gás natural do Irã. Esta decisão ocorre apenas um dia após o mesmo departamento ter anunciado o restabelecimento das sanções contra todo o petróleo iraniano, revogando uma licença temporária de um mês que permitia a Teerã vender petróleo armazenado em navios-tanque.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, foi quem fez o anúncio, indicando que os EUA estão dispostos a aplicar sanções inclusive contra países que compram petróleo iraniano.
As entidades sancionadas fazem parte de uma rede comandada por Mohammed Hossein Shamkhani, cujo pai era um dos principais conselheiros políticos do antigo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Ambos foram mortos em ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o país persa.
As novas sanções incluem:
* Nove embarcações, entre petroleiros e navios-tanque de gás liquefeito de petróleo (GLP)
* Diversas empresas sediadas nos Emirados Árabes Unidos
* Mais de 200 indivíduos e entidades ligados ao comércio de petróleo e gás iraniano
Esta não é a primeira vez que o Irã enfrenta sanções dos Estados Unidos. Em julho de 2025, o governo de Donald Trump já havia anunciado punições contra mais de 115 indivíduos, entidades e embarcações ligadas ao país.
Os dois países são protagonistas de um conflito que atinge o Oriente Médio desde o fim de fevereiro deste ano.
Na última terça-feira (7), o Irã confirmou um acordo de cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos e indicou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico pelo mesmo período.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Seyed Abbas Araghchi, agradeceu ao primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pelos esforços para pôr fim à guerra na região. Segundo Araghchi, as forças armadas do Irã cessariam suas "operações defensivas" se os ataques contra o país fossem interrompidos.
Porém, os Estados Unidos anunciaram um bloqueio no Estreito de Ormuz que iniciou pouco antes do cessar-fogo completar uma semana, na segunda-feira (14).
Desde então, tropas norte-americanas controlam a entrada e saída de embarcações na região e já atacaram 158 navios iranianos.
O Comando Central dos EUA confirmou o bloqueio, afirmando que "será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou posteriormente que qualquer "navio de ataque" do Irã que se aproximar do bloqueio será destruído.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Donald Trump anunciou que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.
Desde então, mais de duas mil pessoas morreram.
Em resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Sem previsão para um acordo definitivo entre os países, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano.
A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março, que afirmou que "a fome nunca foi tão grave como agora".