
Hwasong-17, um míssil norte-coreano - Foto: Rodong Sinmub
A Coreia do Norte está demonstrando um "grande aumento" em sua capacidade de produzir armas nucleares, conforme declaração de Rafael Mariano Grossi, diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa em Seul, capital da Coreia do Sul, nesta quarta-feira (15).
Esta informação surge em um momento de crescente tensão nas relações diplomáticas globais, especialmente diante da escalada do conflito armado que ocorre há aproximadamente dois meses entre Estados Unidos, Irã e Israel.
A AIEA identificou a construção de novas instalações na Coreia do Norte que se assemelham àquelas utilizadas para o enriquecimento de urânio. Entre estas instalações está a usina nuclear de Yongbyon, reativada em 2021 e que demonstra sinais claros de atividade.
"Durante nossas revisões periódicas, pudemos confirmar que há um rápido aumento nas atividades em Yongbyon", declarou Grossi.
A agência também observou diversas operações na unidade de reprocessamento e no reator de água leve do local, além do comissionamento de outras instalações.
"Tudo isso indica um aumento muito grande nas capacidades da Coreia do Norte em seu domínio da produção de armas nucleares, que era estimada em algumas dezenas de ogivas", afirmou o diretor da AIEA.
A Coreia do Norte, que foi processada pelo seu primeiro ensaio nuclear em 2006, sofreu uma série de sanções da ONU devido aos seus programas de armamento. O país também impediu o acesso aos inspetores da AIEA em 2009.
Segundo Grossi, a agência constatou a construção de "uma nova instalação semelhante à base de enriquecimento de Yongbyon", embora não seja "muito fácil de calcular" o aumento da produção sem visitar o país.
Kim Jong-Un, líder da Coreia do Norte, reiterou nos últimos meses que seu país não renunciará ao status de potência nuclear, afirmando que o desenvolvimento do arsenal foi "plenamente justificado".
Esta situação aumenta as preocupações internacionais sobre a proliferação nuclear, especialmente num contexto de instabilidade geopolítica envolvendo outras potências mundiais.