
O vice-presidente dos EUA, JD Vance e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi — Foto: BBC/Getty Images
Representantes do Irã e dos Estados Unidos estão se preparando para iniciar negociações de paz no Paquistão, buscando encerrar um conflito que já dura seis semanas. O vice-presidente americano JD Vance e autoridades iranianas se reuniram separadamente com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif antes das conversações oficiais previstas para este sábado (11).
As negociações ocorrem em um clima de incerteza e desconfiança mútua. O chefe da delegação iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que seus negociadores têm "boas intenções", mas "não confiam" nos EUA. Por outro lado, Vance alertou que os americanos não seriam receptivos se o Irã "tentasse enganá-los".
JD Vance embarcou na sexta-feira (10) rumo a Islamabad, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo conselheiro e genro de Donald Trump, Jared Kushner. Antes da decolagem do Air Force Two, Vance demonstrou otimismo, declarando a jornalistas: "Estamos ansiosos pela negociação. Acho que será positiva".
Autoridades iranianas também se reuniram com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif para discutir os termos das negociações. A delegação iraniana é liderada por Mohammad Bagher Ghalibaf, que expressou cautela apesar das "boas intenções" de seu grupo.
Além das conversações entre Irã e EUA, diplomatas libaneses e israelenses planejam se reunir em Washington na próxima semana para discutir um possível cessar-fogo, ampliando os esforços diplomáticos na região.
Embora os planos de paz tenham sido divulgados, nenhum comunicado oficial detalhando os termos foi revelado até o momento. A televisão estatal iraniana alertou que as negociações poderiam ser canceladas caso as condições de Teerã não sejam atendidas, aumentando a tensão em torno do encontro.
Uma fonte iraniana de alto escalão informou à agência Reuters que os Estados Unidos concordaram em liberar ativos iranianos congelados que estavam no Catar e em outros bancos estrangeiros. A fonte classificou a medida como um sinal de "seriedade" na busca por um acordo, afirmando que a liberação dos ativos estaria "diretamente ligada a garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz", tema central nas negociações.
No entanto, a Casa Branca negou oficialmente essa informação. O presidente Donald Trump expressou insatisfação com a gestão iraniana do estratégico Estreito de Ormuz, cuja abertura estava prevista no acordo de cessar-fogo anunciado na terça-feira.
Por sua vez, o Irã mostrou-se indignado com os ataques israelenses no Líbano - que deixaram mais de 300 mortos na quarta-feira - e insistiu que este país está incluído no acordo de trégua, algo que Washington nega.
Segundo fontes oficiais de Islamabad, as conversas de alto nível abordarão temas como o enriquecimento nuclear do Irã e a livre circulação pelo Estreito de Ormuz, questões cruciais para a estabilidade regional.
O vice-presidente Vance afirmou que o presidente Trump estabeleceu "diretrizes claras" para a condução das negociações, embora não tenha detalhado o conteúdo dessas orientações. "Vamos tentar ter uma negociação positiva. O presidente nos deu algumas diretrizes bastante claras e vamos ver o que acontece", declarou.
Apesar da incerteza que paira sobre o Paquistão às vésperas do início das negociações, com acusações de violação de cessar-fogo trocadas entre as partes, Islamabad segue com os preparativos para as conversas, demonstrando o papel crucial da diplomacia paquistanesa neste processo de mediação.
As negociações entre Irã e Estados Unidos representam uma oportunidade significativa para reduzir as tensões após seis semanas de conflito. No entanto, a desconfiança mútua e as questões não resolvidas sobre o Estreito de Ormuz e a situação no Líbano continuam sendo obstáculos importantes para um acordo duradouro.