COP30 encerra sem acordo sobre combustíveis fósseis
Belém encerra cúpula sem acordo sobre fósseis
Conferência climática em Belém termina sem consenso sobre eliminação gradual de combustíveis fósseis, frustrando expectativas de ambientalistas
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) concluiu seus trabalhos após 13 dias de intensas negociações, marcando um momento crucial para a agenda climática global. O principal revés foi a ausência, no documento final, de um roteiro global para a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em seu discurso na plenária final, reconheceu avanços modestos nas discussões climáticas. Ela foi aplaudida pelos delegados presentes e, emocionada, estabeleceu um paralelo com a Rio 92, destacando que os resultados atuais ainda estão aquém das expectativas daquela época.
Pontos principais do desfecho da conferência:
* O documento final não incluiu a proposta de criar um roteiro global para eliminação gradual de combustíveis fósseis, como petróleo e gás, após intensas negociações durante a madrugada
* Aproximadamente 80 países apoiavam a construção do “mapa do caminho”, incluindo o apoio público do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do secretário-geral da ONU, António Guterres, mas encontraram resistência de nações como Arábia Saudita e Rússia
* A conferência, mesmo realizada no coração da Amazônia, não estabeleceu um plano robusto contra o desmatamento, apenas reconhecendo a importância de reverter a perda florestal até 2030, sem definir um roteiro específico
Marina Silva destacou em seu discurso: “Certamente nos diriam, antes de tudo, que sonhávamos com muito mais resultados, esperávamos que a virada ambiental seria mais rápida, a ciência seria suficiente para mover decisões, a urgência falaria mais alto do que qualquer outro interesse”.
A diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, expressou sua frustração com os resultados, afirmando que o documento final “Não traz nem mapa e nem caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento até 2030”.
Entre os poucos avanços positivos, destaca-se o reconhecimento do papel dos povos indígenas e progressos nos instrumentos globais para adaptação, incluindo a primeira definição de indicadores globais de adaptação, embora ainda necessitem de aperfeiçoamento e ampliação.
A conferência encerrou deixando um sentimento misto de frustração pela falta de acordos mais ambiciosos e a necessidade urgente de ações mais concretas para enfrentar a crise climática global.



