Queda na produção pode pressionar preço dos pães no Brasil

© 14.10.2019/Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil
Queda na produção e na qualidade do trigo brasileiro pode pressionar os preços de pães, massas e farinhas, segundo Valdir Barbosa
O colunista e produtor rural Valdir Barbosa alerta que a qualidade do trigo brasileiro pode impactar diretamente os preços futuros de pães, massas e farinhas no país. Além dos prejuízos já registrados pelo excesso de chuvas no Paraná e no Rio Grande do Sul, principais estados produtores de trigo do Brasil, São Paulo e Santa Catarina também anunciaram oficialmente quedas significativas na produção final da safra. Segundo Valdir Barbosa, Santa Catarina deve colher 36% menos do que no ano passado, e o problema não se limita à quantidade: a qualidade dos grãos também foi comprometida, dificultando a aceitação pelos moinhos. Grande parte do trigo produzido no estado não estará adequada para a fabricação de pães e massas.
O pão francês, por exemplo, tende a ficar com o miolo mais pesado e compacto, enquanto o macarrão — especialmente o talharim, o espaguete e as massas tipo italianas — pode perder firmeza e ter um cozimento precoce. Diante desse cenário, Valdir Barbosa aponta que a solução imediata seria aumentar a dependência do trigo argentino. Apesar de a Argentina também enfrentar alguns problemas, o país deve registrar uma boa produção e historicamente é um dos principais fornecedores para o Brasil. No entanto, a dependência do trigo russo tende a se complicar à medida que se intensificam os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia, com os canais de navegação parcialmente bloqueados. Os Estados Unidos também produziram menos neste ano, já que a área plantada foi consideravelmente menor, o que reduziu as exportações americanas.
A Rússia, por sua vez, tem uma produção estimada de 88 milhões de toneladas para este ano, enquanto os Estados Unidos devem colher 42 milhões de toneladas, uma queda de cerca de 23% em relação ao ano anterior. Como destaca Valdir Barbosa, a produção de trigo brasileiro deve se aproximar de 6 milhões de toneladas, enquanto a importação deve alcançar 9 milhões de toneladas. A questão central para o Brasil, segundo ele, não é simplesmente comprar no mercado internacional, mas encontrar um produto de boa qualidade. A Rússia possui esse trigo, porém faltam rotas seguras para transportá-lo, e o custo do frete marítimo até o Brasil tende a elevar os preços de forma expressiva. Valdir Barbosa reforça que o cenário atual exige atenção do setor produtivo e do mercado consumidor, já que a combinação de menor produção nacional, queda de qualidade e dificuldades logísticas no mercado externo pode pressionar os preços de produtos básicos como pão e macarrão nos próximos meses.



