Ações do Itaú sobem após lucro de R$ 12,6 bi no 3T26

José Cruz/Agência Brasil
BTG, XP e Bradesco BBI mantêm recomendação de compra para ITUB4 após resultado sólido, mas alertam para pressão em receitas de serviços
As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) subiam 1,66%, a R$ 39,13, na manhã desta quarta-feira (4), após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. BTG Pactual, XP Investimentos e Bradesco BBI avaliaram positivamente o balanço do banco, ainda que tenham apontado preocupações com o crescimento do crédito e o desempenho das receitas de serviços. O Itaú registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no período, alta de 6,2% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 1,7% sobre o segundo trimestre de 2026. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede a rentabilidade do banco em relação ao capital dos acionistas, ficou em 23,6%. O BTG Pactual considera que o Itaú está preparado para enfrentar um cenário mais difícil. O lucro veio em linha com as expectativas do mercado, embora tenha ficado 3% abaixo da projeção do próprio banco. Para os analistas, 2026 representa um ano de transição, marcado por uma base de comparação mais elevada, menor disposição para assumir riscos e um ambiente econômico e eleitoral mais desafiador.
A solidez financeira foi um dos principais destaques positivos do balanço. O patrimônio líquido do Itaú chegou a R$ 219,9 bilhões, crescimento de 5,5% sobre o trimestre anterior e de 6,1% em um ano. O índice de capital principal (CET1), que mede a capacidade do banco de absorver perdas, avançou 0,4 ponto percentual, para 12,7%. O BTG também destacou os avanços tecnológicos e na estrutura do banco. Segundo os analistas, o Itaú nunca esteve tão forte do ponto de vista digital, cultural e financeiro para enfrentar os desafios do setor. A avaliação considera a transformação dos bancos brasileiros, com maior concorrência, digitalização e necessidade de gerar capital. Em relatório, o banco afirmou: "Acreditamos que o investimento no Itaú vai muito além do resultado do terceiro trimestre de 2026." As receitas com tarifas continuam sendo um ponto de atenção. O BTG espera que essa linha permaneça como o componente mais fraco dos resultados, especialmente diante da perspectiva de menor contribuição dos serviços ligados a investimentos.
A XP também avaliou o trimestre como sólido, mas destacou fraqueza em serviços e seguros. A corretora apontou que essas receitas continuaram abaixo do desempenho das demais operações, enquanto o controle de despesas ajudou a sustentar o lucro. O Itaú reduziu ainda a projeção para a alíquota efetiva de imposto em 2026, passando a trabalhar com uma faixa entre 28% e 29%, ante previsão anterior de 29,5% a 32,5%. Segundo a XP, a mudança deve ajudar a compensar o desempenho mais fraco das receitas de serviços, sendo a única alteração nas projeções anuais da administração. A concessão mais seletiva de crédito deve continuar. A XP considera que o Itaú está bem posicionado para enfrentar uma eventual piora da inadimplência, apoiado na qualidade da carteira de empréstimos, na disciplina de concessão e nos níveis de capital. O Bradesco BBI destacou a melhora das operações de tesouraria.
Segundo os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, o resultado superou as expectativas, principalmente pelos ganhos nas operações financeiras realizadas pelo banco no mercado. O crescimento do crédito ficou concentrado em operações com garantias, estratégia que pressionou a margem financeira com clientes — diferença entre os juros recebidos nos empréstimos e o custo de captação de recursos —, mas que ajuda a limitar o risco de perdas. As receitas de seguros e mercado de capitais também tiveram desempenho mais fraco, contribuindo para um resultado misto na prestação de serviços. O BBI espera continuidade da cautela na concessão de empréstimos. Para os analistas, os indicadores de qualidade dos ativos oferecem segurança para o Itaú enfrentar um ambiente econômico mais desafiador, mesmo com crescimento moderado da carteira. BTG Pactual, XP e Bradesco BBI mantêm recomendação de compra para as ações ITUB4. O BTG tem preço-alvo de R$ 53, equivalente a um potencial de valorização de 37,7% sobre o fechamento anterior, sendo o Itaú o único dos quatro grandes bancos tradicionais acompanhados pelo banco com essa recomendação. A XP mantém o Itaú como sua principal escolha no setor bancário, com preço-alvo de R$ 50 e potencial de alta de 26,6%. Já o Bradesco BBI estabelece preço-alvo de R$ 45, com potencial de valorização de aproximadamente 17%.



