Trump intensifica apelos eleitorais com pagamento por votos

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Alex Brandon / Pool
Trump intensifica apelos eleitorais com pagamentos em dinheiro, recompensas por denúncias de fraude e cartas assinadas pelo presidente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou os apelos aos eleitores às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3). Para mobilizar apoiadores, o republicano recorreu a promessas de pagamentos em dinheiro, anunciou recompensas milionárias por denúncias de fraudes eleitorais e divulgou benefícios financeiros destinados a milhões de americanos. Entre as promessas estão cheques de US$ 5 mil para cidadãos americanos e recompensas de US$ 1 milhão para quem denunciar supostas fraudes eleitorais. Nas últimas semanas, o governo também realizou pagamentos de US$ 90 a participantes do Medicare, programa federal de saúde, e começou a distribuir cheques de US$ 500 a pessoas que contrataram planos pelo Obamacare. A estratégia ocorre em um momento de pressão sobre os republicanos, que tentam manter o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Pesquisas indicam dificuldades para o partido nas urnas. Em um dos últimos pronunciamentos antes da votação, Trump pediu que eleitores que o apoiaram anteriormente comparecessem às urnas. "Se uma parcela dos americanos que votaram em mim nas últimas eleições sair de casa para votar, temos uma boa chance na disputa", afirmou.
Dados fornecidos pela Casa Branca mostram que, somente em 8 de outubro, o governo realizou quase 19,9 milhões de depósitos de US$ 90 e enviou outros 874 mil cheques pelo correio. Os valores foram destinados a participantes do Medicare e retirados de um fundo federal voltado a melhorias no programa. Segundo o governo, a iniciativa busca compensar parte das mensalidades pagas pelos beneficiários, que podem ultrapassar US$ 200 mensais. Poucos dias antes, em 1º de outubro, a administração Trump havia iniciado o envio de cheques de US$ 500 para mais de 950 mil americanos em 30 estados.
Os destinatários são pessoas que contrataram seguros de saúde por meio das plataformas federais do Obamacare e que, segundo o governo, pagaram taxas excessivas durante a gestão de Joe Biden. Esses pagamentos foram acompanhados de cartas assinadas pelo próprio presidente, nas quais Trump destacou iniciativas de sua administração para reduzir os gastos com saúde.
A divulgação dos benefícios acompanhada de mensagens assinadas pelo presidente levantou questionamentos sobre os limites entre a comunicação de ações governamentais e a promoção política às vésperas da votação. Margaret Dylus-Yukins, advogada especializada em ética eleitoral do Campaign Legal Center, afirmou que a estratégia pode levantar dúvidas relacionadas à Hatch Act, legislação federal de 1939 que restringe atividades político-partidárias de servidores públicos durante o exercício de suas funções. Segundo a especialista, a realização dos pagamentos não configura, por si só, uma atividade política irregular. A análise depende do conteúdo das cartas, da linguagem empregada, da forma de distribuição e da intenção por trás das mensagens.
A lei não se aplica diretamente ao presidente, mas estabelece restrições para outros funcionários federais. Servidores que tenham participado da divulgação de mensagens com o objetivo de influenciar as eleições podem enfrentar penalidades. Procurada pela reportagem, a Casa Branca defendeu os pagamentos e afirmou que as medidas fazem parte dos esforços de Trump para reduzir os custos de saúde da população. A mobilização do presidente também incluiu eventos com apoiadores pelo país. Em setembro, durante uma convenção republicana em Dallas, no Texas, Trump pediu que os participantes levantassem as mãos e repetissem um juramento de comparecimento às urnas. Na ocasião, fez uma brincadeira sobre as acusações de fraude eleitoral que costuma direcionar aos democratas e incentivou os presentes a votar acompanhados de familiares e amigos. Ao final, reforçou a cobrança com uma frase em tom de ameaça bem-humorada: "Vocês sabem o que acontece se não votarem? Vão para o inferno".



