Lula decide não se envolver na campanha presidencial argentina

Foto: Rircardo Stuckert/PR
Lula decide não se envolver na campanha presidencial argentina, mas estrategistas brasileiros já atuam a pedido de Sérgio Massa para 2027
O presidente Lula decidiu não se envolver diretamente na campanha presidencial argentina, que já deu seus primeiros passos mesmo faltando quase um ano para o pleito. A visita do deputado federal André Janones (Rede) a Buenos Aires, acompanhado de membros da equipe do estrategista Sidônio Palmeira, atual ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), não deve ser interpretada como uma intervenção direta de Lula na campanha do ex-candidato peronista Sérgio Massa, que pretende concorrer novamente em 2027. Massa deverá disputar a candidatura do peronismo com o atual governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof.
As pesquisas atuais indicam que Kicillof tem chances significativamente maiores de derrotar o presidente Javier Milei nas urnas, tornando-o a opção mais competitiva para as presidenciais argentinas. Lula tende a apoiar o candidato mais competitivo, segundo fontes oficiais do governo consultadas pela coluna. O presidente também mantém seu apoio à ex-chefe de Estado Cristina Kirchner (2007-2015), condenada e presa em regime domiciliar por corrupção, que afirma ser perseguida política em seu país. Na campanha de 2023, estrategistas do PT trabalharam ao lado de Massa, que foi derrotado por Milei no segundo turno após vencer o primeiro turno do pleito. Para 2027, tudo indica que Kicillof será o candidato mais forte do peronismo, mas Massa já está em campanha para disputar a candidatura do movimento.
Na Argentina, os partidos e alianças são obrigados a realizar primárias, instância eleitoral que Milei pretende anular por lei, iniciativa que ainda não prosperou. Massa e Kicillof poderiam concorrer por alianças diferentes, evitando assim disputar a candidatura nas primárias. O governo brasileiro aposta em um candidato único do peronismo, pois, dividido, o movimento teria poucas chances de derrotar Milei. A campanha está apenas começando, mas estrategistas brasileiros e Janones já estão em campo, a pedido de Massa, que permanece praticamente ausente do cenário político argentino desde a derrota de 2023. Kicillof mantém uma relação tensa com Cristina Kirchner, algo que precisará ser contornado nos próximos meses.
O governador da província de Buenos Aires foi ministro da Economia durante o governo de Cristina, mas se afastou da ex-presidente após sua condenação. Massa, por sua vez, também enfrenta dificuldades em sua relação com Cristina, e não está claro quem contará com o apoio da ex-presidente. Os peronistas costumam se unir diante da oportunidade de recuperar o poder. Foi assim em 2019, quando Cristina integrou a chapa do ex-presidente Alberto Fernandez, com quem ficou cerca de dez anos sem se falar por disputas políticas. A chapa venceu a eleição, mas as brigas continuaram durante os quatro anos de gestão, ilustrando as dificuldades históricas de coesão interna do movimento.



