Israel anuncia encerramento de operação na Cisjordânia ocupada

Foto: ONU/Eskinder Debebe
Ofensiva de duas semanas em Hebron deslocou mais de 3 mil palestinos e foi condenada pela ONU
O Exército de Israel anunciou nesta segunda-feira (2) o encerramento da operação militar em Hebron, na Cisjordânia ocupada, e a retirada de suas tropas da cidade. A ofensiva, que durou quase duas semanas, resultou no deslocamento de mais de 3 mil palestinos, conforme informou a prefeitura local. A incursão teve início após um ataque em 23 de outubro que resultou na morte de dois soldados israelenses. Israel atribuiu a ação ao Hamas, movimento islamista palestino que controla a Faixa de Gaza. Segundo um comandante militar, as tropas apreenderam quatro armas e vários coletes à prova de balas ao longo da operação.
Com a saída das forças militares, moradores começaram a retornar às suas residências e se depararam com os rastros deixados pelas tropas. O comerciante Muhanad al Tamimi, de 33 anos, relatou à AFP que seu imóvel estava completamente revirado, com móveis e roupas espalhados pelo chão e colchões retirados das camas. Ele afirmou que os soldados utilizaram sua casa como base durante a operação. Cruzes pintadas nas fachadas dos prédios do bairro evacuado sinalizavam os imóveis que haviam sido ocupados e revistados pelas forças israelenses, segundo o relato dos moradores.
Ao longo da ofensiva, o Exército israelense também demoliu as residências dos dois homens apontados como responsáveis pelo ataque de 23 de outubro, ambos naturais de Hebron. A prefeitura da cidade informou que a operação forçou cerca de 500 famílias, totalizando mais de 3 mil pessoas, a abandonar suas casas.
A ofensiva recebeu críticas do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. Ambos manifestaram preocupação com o risco de uma possível limpeza étnica na Cisjordânia. "Estamos assistindo a um ambiente cada vez mais coercitivo, com o espectro de uma limpeza étnica cada vez mais presente. Isso precisa acabar", declarou Guterres. O encerramento da operação em Hebron marca o fim de quase duas semanas de incursão militar israelense na cidade, que deixou milhares de palestinos deslocados e gerou repercussão internacional por parte de organismos de direitos humanos.



