Ilha iraniana é atacada pelos EUA no Estreito de Ormuz

vista de satélite do Estreito de Ormuz, localizado no Oriente Médio
Ataque americano à ilha iraniana de Qeshm ocorre enquanto Trump sinaliza otimismo com possível acordo diplomático com Teerã
Os Estados Unidos atacaram, na segunda-feira (2), a ilha iraniana de Qeshm, localizada no estratégico Estreito de Ormuz, de acordo com informações do Wall Street Journal. O ataque foi divulgado pouco depois de Donald Trump demonstrar otimismo em relação às negociações com Teerã para encerrar o conflito, que já se estende por oito meses. A agência oficial iraniana Irna informou que cinco explosões foram ouvidas na ilha de Qeshm e que moradores relataram ter visto duas aeronaves sobrevoando a região na mesma data.
A ação ocorreu na véspera das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo autoridades americanas que falaram ao Wall Street Journal sob condição de anonimato, o ataque a Qeshm faz parte de uma série de ofensivas limitadas conduzidas por Washington contra o Irã nas últimas semanas. As Forças Armadas americanas buscam manter essas operações em sigilo para evitar a percepção de que os Estados Unidos pretendem retomar ações militares de grande escala. O Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), quando questionado, não fez comentários sobre o assunto. Desde o início da guerra, desencadeada por ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã mantém controle rígido sobre o Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de petróleo no mundo. O Irã ataca regularmente embarcações que tentam atravessar a passagem marítima sem autorização, e as recentes operações americanas na região são descritas pelas autoridades dos EUA como defensivas, com o objetivo de conter esses ataques iranianos. Apesar de uma relativa calmaria militar observada nos últimos dois meses, Estados Unidos e Israel elevaram o tom das ameaças nos dias recentes, em meio à expectativa gerada pelas eleições de meio de mandato americanas e às incertezas políticas pós-eleitorais em Israel.
Na véspera da votação americana, Trump afirmou que um acordo com Teerã "poderia acontecer". "O Irã quer um acordo, o mais rápido possível. Isso pode acontecer!", escreveu o presidente americano em sua plataforma, a Truth Social. Também na segunda-feira, o Irã declarou que poderia reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, caso os EUA aceitassem suas condições. Um projeto de acordo com Washington circula após negociações realizadas no fim de semana. Entre as exigências estariam um cessar-fogo regional, a liberação dos ativos iranianos no exterior, o fim das sanções contra o setor de petróleo iraniano e o encerramento do bloqueio americano aos seus portos. Os preços do petróleo, que haviam disparado em razão do bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, despencaram mais de 7% nesta segunda-feira diante do otimismo com a possibilidade de um fim do conflito. O cenário aponta para um momento de tensão diplomática e militar simultâneas, enquanto as partes envolvidas avaliam os próximos passos.



