Justiça bloqueia R$ 3,4 bilhões de esquema de bets no DF

Celular exibe uma plataforma de apostas esportivas online (conhecida como "bet") © Antônio Cruz/ Agência Brasil
Polícia Civil do DF deflagra operação contra bets ilegais que usaram empresas de fachada para movimentar R$ 739 milhões em seis estados
A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em bens de investigados por um esquema envolvendo bets ilegais que utilizaram empresas de fachada para movimentar mais de R$ 700 milhões.
A ordem judicial está sendo cumprida no âmbito da Operação Azzardo, deflagrada nesta quinta-feira (5/11) pela Polícia Civil do DF em cinco estados e no Distrito Federal.
A Operação Azzardo mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão, sendo 24 deles no próprio DF.
Os demais endereços investigados estão localizados em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
Além do bloqueio bilionário, a Justiça determinou uma série de medidas contra os envolvidos no esquema:
Bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões.
Indisponibilidade de bens mantidos em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários.
Suspensão das inscrições no CNPJ e dos registros nas juntas comerciais de 100 empresas e empresários individuais.
Proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.
Afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Como o esquema funcionava
A investigação teve início há cinco meses, após um alerta emitido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou bets operando sem autorização federal, antes mesmo da medida provisória que proibiu as apostas.
Segundo as apurações, os valores depositados nas bets eram encaminhados a empresas de fachada, que concentravam os recursos e os redistribuíam entre pessoas, empresas e instituições.
Os pagamentos via Pix destinados às bets eram direcionados a empresas com atividades declaradas sem qualquer relação com apostas, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas com endereço em Sobradinho, no DF.
Os investigadores identificaram ainda empresas abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, todas no DF.
Nos locais declarados pelas empresas, os policiais encontraram imóveis vazios e outros estabelecimentos comerciais sem relação com as atividades registradas.
Em um único lote de Ceilândia, dez empresas indicavam o mesmo número de telefone.
As informações financeiras analisadas apontam movimentações de aproximadamente R$ 739 milhões.
A investigação também alcança uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto.



