Durigan prepara propostas para melhorar contas públicas e levará plano a Lula

Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Cadu Gomes/VPR
Ministro da Fazenda realizará agenda de escuta com economistas e mercado antes de apresentar proposta fiscal ao presidente Lula
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (5/11) que realizará, nos próximos dias, uma série de reuniões de escuta com economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado financeiro. O objetivo é colher subsídios técnicos antes de apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma proposta para melhorar a situação fiscal do país.
As propostas serão levadas a Lula após seu retorno da Conferência das Partes (COP31), na Turquia, previsto para a próxima semana. Enquanto o presidente estiver fora do país, Durigan conduzirá essa agenda de escuta em busca de soluções para as contas públicas.
"Nós estamos cumprindo etapas. Vou seguir nessa escuta durante a viagem do presidente", declarou o ministro. A declaração de Durigan foi feita no Ministério da Fazenda, logo após ele retornar de uma reunião com Lula sobre o tema.
O encontro reuniu, além do ministro da Fazenda, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento e Orçamento Bruno Moretti, a ministra da Casa Civil Miriam Belchior e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, entre outros. Segundo Durigan, nenhuma medida específica foi definida na reunião.
A responsabilidade pela formatação das propostas de "aprimoramento" das contas públicas ficará concentrada nas mãos de Durigan e de Moretti. O ministro reforçou, em diversas ocasiões durante sua fala à imprensa, que o trabalho terá como norte o respeito aos compromissos de campanha, especialmente os voltados às pessoas mais pobres, e o "reforço das regras vigentes de controle dos gastos".
"A mensagem mais importante é que quem investe nesse país não vai ter nenhuma dificuldade quanto a previsibilidade", afirmou Durigan.
A movimentação do governo federal para revisar o Orçamento teve início logo após o resultado do segundo turno das eleições, que consagrou Lula como vencedor. Desde então, a pressão sobre o governo aumentou de forma significativa.
A bolsa de valores acumulou perdas superiores a 30 mil pontos, e o dólar, que estava abaixo de R5,00,disparouparaR5,00,disparouparaR 5,49 na tarde desta quinta-feira.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na quarta-feira, de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, representou mais um ponto de pressão sobre o governo. O colegiado de diretores do Banco Central destacou a política fiscal do governo Lula como fator de atenção.
"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza", diz trecho do comunicado do Copom.
Os ajustes no Orçamento de 2027 são considerados necessários para que o governo federal alcance pelo menos o centro da meta fiscal estabelecida para aquele ano, que prevê um superávit primário de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).



