Açúcar e café sob pressão com alta do dólar

© Arquivio/Marcelo Camargo/Agência Brasil
A valorização do dólar após a reeleição de Lula pressiona commodities como açúcar, café e trigo, com risco de repasse ao consumidor
A alta do dólar após a reeleição do presidente Lula (PT) começa a pressionar as cotações de commodities agrícolas como soja, milho, açúcar, trigo e café. Se por um lado o avanço da moeda americana beneficia o produtor rural, por outro ameaça impactar diretamente o bolso do consumidor brasileiro. Segundo analistas, a situação pode gerar repasses para os preços finais de parte dos alimentos caso o câmbio continue pressionando as cotações. Soja e milho, por exemplo, afetam a produção de carnes por servirem de base para a alimentação animal. Na semana seguinte à vitória de Lula, o dólar acumulou alta de 9,2%. A moeda americana atingiu na terça-feira (3/11) o maior nível desde dezembro de 2025, a R$ 5,486, com avanço diário de 0,7%.
Agentes do mercado financeiro têm manifestado preocupação com o rumo das contas públicas no quarto mandato de Lula. Na quarta-feira, a moeda abriu em queda após os democratas conquistarem a maioria nas duas casas do Congresso dos EUA, recuando 0,20%, cotada a R$ 5,475 às 9h48. "Quanto mais tempo o dólar permanecer acima do pré-eleição, maior é a probabilidade de ter algum impacto nos preços", afirma o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que a alta do dólar frente ao real aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, estimulando o interesse de compradores estrangeiros.
O movimento impulsionou os preços, que voltaram aos níveis do início de outubro. Nesta terça, a saca de 60 kg de soja custava R$ 152,45 no Paraná, alta de 3,9% ante o patamar de 23 de outubro (R$ 146,69), antes do segundo turno das eleições. As cotações do milho também voltaram a subir, favorecidas pela valorização do dólar e pelo avanço dos preços nos portos. A saca de 60 kg custava R$ 66,19 nesta terça, 3% a mais do que às vésperas do segundo turno (R$ 64,27), com base nos dados da região de Campinas (SP). "Teve algumas altas até bem expressivas de soja em grão e milho, porque os preços da maioria das commodities que a gente exporta são feitos de fora para dentro", diz o analista Gabriel Viana, da consultoria Safras & Mercado, em referência ao impacto do câmbio.



