Agência da ONU alerta sobre 90 milhões em risco climático extremo

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Acnur revela que três quartos dos deslocados vivem em países vulneráveis a secas, inundações e calor extremo antes da COP31
Quase 90 milhões de pessoas forçadas a abandonar suas casas vivem atualmente em países expostos a riscos climáticos graves, como secas prolongadas, inundações e temperaturas extremas. O alerta foi divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) dias antes do início da COP31, conferência internacional sobre mudanças climáticas que será realizada na Turquia. O levantamento do Acnur revela que aproximadamente três quartos das pessoas deslocadas à força no mundo habitam países sujeitos a ameaças climáticas significativas. A combinação de conflitos armados, deslocamento populacional e eventos extremos dificulta a reconstrução da vida de milhões de famílias ao redor do globo. Entre os países citados no relatório do Acnur estão Afeganistão e Bangladesh, onde comunidades vulneráveis enfrentam os efeitos de desastres naturais e alterações nas condições climáticas. Na África, pessoas que fugiram de conflitos também precisam lidar com escassez de água, calor intenso e dificuldades para obter alimentos.
Em assentamentos de refugiados, a falta de infraestrutura adequada pode agravar os efeitos de eventos extremos, e o acesso limitado à eletricidade, ao abastecimento de água e a sistemas de refrigeração aumenta a exposição a problemas de saúde. O relatório do Acnur destaca ainda que as mudanças climáticas estão dificultando o retorno seguro e duradouro de pessoas deslocadas. No primeiro semestre de 2026, mais de dois terços dos refugiados que retornaram aos países de origem voltaram para territórios altamente expostos a ameaças climáticas. Na Síria, onde milhões de pessoas deslocadas retornaram recentemente, a escassez de água e as alterações no regime de chuvas representam obstáculos à reconstrução das comunidades. Inundações ao longo do rio Eufrates também provocaram danos a residências e novos deslocamentos.
As projeções apresentadas pelo Acnur para a África Subsaariana são especialmente preocupantes. Até 2050, um em cada três assentamentos de refugiados na região poderá enfrentar pelo menos 100 dias de calor perigoso por ano. Em determinadas localidades da Etiópia, esse período poderá ultrapassar 200 dias anuais. A exposição prolongada a temperaturas extremas aumenta os riscos de desidratação, insolação e outras complicações de saúde, sendo crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes os grupos que exigem maior proteção. O levantamento do Acnur também alerta para o agravamento das chuvas extremas em regiões vulneráveis. Na África Oriental, enchentes poderão deslocar até três milhões de pessoas na Somália, no Quênia, no Sudão do Sul e em Uganda até o fim do ano, segundo as projeções apresentadas.
A ocorrência de eventos extremos em áreas já afetadas por conflitos pode ampliar a pressão sobre serviços públicos e organizações humanitárias, comprometendo o acesso a alimentos, medicamentos e água potável. A divulgação do relatório ocorre às vésperas da COP31, que reunirá representantes de diferentes países para discutir ações contra as mudanças climáticas. Um dos principais desafios será ampliar os recursos destinados à adaptação de comunidades vulneráveis. Segundo o Acnur, apenas cerca de 10% do financiamento climático chega a países frágeis ou afetados por conflitos. A organização defende que refugiados e pessoas deslocadas sejam incluídos nas políticas nacionais de adaptação climática. O objetivo é reduzir a exposição a novos desastres e criar condições para que essas populações reconstruam suas vidas com maior segurança.



