Movimento masculinista russo nega ameaças de bomba em aviões na Europa

Foto: Latam/Divulgação
Fundador Vladislav Pozdniakov afirma que movimento proibido em 2021 não existe mais e nega ligação com falsas ameaças em aeroportos europeus
O fundador do "Estado Masculino", movimento masculinista russo proibido em 2021 por "extremismo", negou, nesta sexta-feira (6), qualquer envolvimento nas falsas ameaças de bomba que vêm se multiplicando em aeroportos e aviões na Europa. As mensagens, assinadas por supostos "combatentes do Estado Masculino", atingiram organizações como os aeroportos de Birmingham, Roma e Sófia, causando perturbações significativas no tráfego aéreo do continente.
Em resposta a perguntas de jornalistas, o fundador do movimento, Vladislav Pozdniakov, publicou no Telegram que o grupo "simplesmente não existe desde 2021", ano em que foi proibido pelas autoridades russas. "Aqueles que hoje organizam provocações em território de países da União Europeia [em nome deste movimento] agem por interesse próprio e limitam-se a usar uma bandeira que não lhes pertence", acrescentou. As falsas ameaças de bomba vêm perturbando o tráfego aéreo europeu há vários dias, provocando atrasos e forçando a mobilização de caças para escoltar aeronaves civis. Os episódios ocorrem em um contexto de intensificação dos chamados "ataques híbridos" na Europa, alguns dos quais as autoridades e investigadores associam à Rússia e, por vezes, ao Irã.
O "Estado Masculino" foi fundado em 2016 por Vladislav Pozdniakov, blogueiro e treinador esportivo, inicialmente como uma comunidade na rede social russa VK. Com o tempo, o grupo adquiriu um caráter semipolítico, com uma ideologia que combinava misoginia e nacionalismo. O movimento, que nunca teve grande envergadura, ficou conhecido sobretudo por suas campanhas de assédio online, até ser declarado "extremista" e proibido pelas autoridades russas em 2021. Apesar da negação de Pozdniakov, o uso do nome do "Estado Masculino" nas ameaças levanta questões sobre quem estaria por trás das ações e com quais motivações, em um momento em que a Europa enfrenta crescente pressão de atividades consideradas de sabotagem e desestabilização.



