Defesa de Vorcaro diz que celular foi alterado após apreensão da PF

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Defesa de Daniel Vorcaro contrata perícia e aponta que celular foi manuseado e alterado após apreensão pela Polícia Federal
A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, contratou um perito independente e apresentou uma análise técnica preliminar apontando que o celular do banqueiro foi manuseado e teve arquivos alterados após a apreensão pela Polícia Federal, ocorrida em 17 de novembro do ano passado. Segundo os advogados, o serviço de perícia foi contratado depois que Vorcaro não reconheceu a veracidade de uma série de conteúdos vazados do aparelho. "As constatações do perito são graves e objetivas. Elas não apontam suspeitas, apontam registros. E esses registros estão no próprio relatório oficial da Polícia Federal", afirmou a defesa em nota.
De acordo com a perícia, o telefone já estava sob custódia policial quando foi manuseado, tendo sido registradas três conexões pela porta USB. O banco de dados do WhatsApp também teria sido modificado, e há registros de senhas criadas ou alteradas no período. "Nada disso consta do termo de apreensão. O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado", frisou a defesa. Os advogados detalham que, no dia seguinte à prisão de Vorcaro, "657 arquivos foram modificados, 59 deles bancos de dados, e 436 arquivos foram criados, entre eles 94 imagens e 5 bancos de dados". Para a defesa, "um aparelho apreendido deve ser preservado, não alimentado ou editado". O relatório do perito contratado pela defesa reconhece, no entanto, que os registros identificados, considerados isoladamente, "não permitem determinar quem operou o dispositivo, se os eventos decorreram de intervenção humana deliberada ou qual a natureza e a extensão das alterações realizadas".
Para a análise, o especialista utilizou, entre outros materiais, laudos produzidos pela própria polícia e extrações integrais do telefone. Ainda assim, o documento da perícia é enfático ao afirmar que "a ausência de elementos que permitam atribuir essas alterações a uma intervenção humana não autoriza, por consequência, classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas, especialmente quando inexistem registros técnicos capazes de demonstrar sua origem e finalidade". Outro ponto levantado pela defesa de Vorcaro diz respeito às datas dos arquivos. A extração do conteúdo do aparelho é datada de 19 de novembro de 2025, mas o relatório entregue pela PF contém 340 arquivos com data de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. "O material que o Estado apresenta como retrato fiel do aparelho carrega registros de modificação posteriores à própria extração, e não há nos autos uma linha de explicação técnica para isso", afirmaram os advogados. Com base nessas constatações, a defesa sustenta que as provas não podem ter sua integralidade verificada e, portanto, não podem sustentar a acusação. Os advogados pedem que os dados brutos originais da extração sejam preservados e entregues à equipe de defesa para análise.



